Bernardo Silveira formou-se em Gastronomia enquanto ainda vivia em Belo Horizonte. Fez um pouco de tudo aqui e ali, mas trabalhou principalmente com serviço de salão em uma padaria/bistrot da cidade, em eventos e feiras, degustações de vinho e em seu próprio (projeto de) restaurante, O Itinerante. Fugiu das horas em pé diante das mesas para horas em pé diante de mesas, pessoas, garrafas, computadores trabalhando em uma distribuidora, que logo exportou-o para São Paulo, onde vive hoje e trabalha em uma importadora. Cursou dois níveis de WSET em Santiago do Chile e está se deseperando com o quanto não vem deixando o bumbum quadrado para o Diploma Level da mesma instituição. Enquanto isto, finge que faz de tudo para se manter magro enquanto engorda bebendo e comendo por aí.
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Rabiscado por Beda | Em Provas, Vídeos
Friday Feb 29, 2008
Decidi republicar esse post (publicado originalmente no dia 23 de fevereiro), substituindo o vídeo original por outro um tanto mais… eloqüente! que mostra o que Gary “Vay-ner-chuk” faz diariamente em suas vídeo-degustações:
“Aproveitando a seqüência de vídeos, para quem queira acompanhar um louco em degustações quase diárias online, vale a pena assitir - de vez em quando - um episódio de WineLibrary TV com Gary Vaynerchuk:”
Rabiscado por Beda | Em Debate, Matérias
Tuesday Feb 26, 2008
Talvez alguns de vocês tenham lido em Quem é Beda? que eu andei obtendo dicas sobre os meus textos de uma jornalista. A mais aguda delas me deixou curioso: “tome cuidado com algumas afirmações. Numa das notas você defende as garrafas pesadas que (…) só servem para aumentar o frete pago pela bebida”.
Acompanhada da observação vinha uma indicação de um artigo da jornalista inglesa Jancis Robinson sobre o peso das garrafas (”É Hora de Repensar as Garrafas”, Prazeres da Mesa nº38, Julho de 2006).
Após assistir a uma (absolutamente deliciosa) palestra dirigida por ninguém menos que a própria Robinson sobre as perspectivas de mudanças no cenário mundial enológico, decidi não deixar passar a oportunidade e recolocar-me sobre as garrafas.
Durante a palestra, a jornalista mencionou algumas das mudanças mais enfáticas - positivas e negativas - decorrentes dos profundos câmbios climáticos que estão se verificando nos últimos anos. Um de seus exemplos foi, justamente, a tão debatida emissão excessiva de gás carbônico, conseqüência de inúmeros processos do dia-a-dia “civilizado”, que contribui para o aquecimento global.
No artigo, como na palestra, Robinson ressaltou o exemplo de um produtor australiano que faz questão de importar uma dessas pesadas garrafas da Europa, mandá-la para a Austrália e então devolvê-la, cheia, para a Europa, embutindo no custo do vinho os dois caros fretes das garrafas mais bojudas.
Quando falei sobre os custos do vinho, observei que as garrafas mais grossas e pesadas podem ser úteis para a proteção dos vinhos mais caros, vinhos exclusivos e que têm de fato uma imensa carga fetichista atrelada ao seu valor de fato. Jancis Robinson defende ardorosamente que o apreço do mercado pela estética das garrafas mais pesadas é burro e egoísta e que é possível encontrar vinhos de todas as faixas de preço, mesmo as relativamente baixas, em pesadas e inúteis garrafas.
Assim como a rolha, que é um produto caro e que oferece um certo risco para a qualidade do vinho, entendo que garrafas “de luxo” poderiam se tornar, em algum tempo, exatamente isto: puro luxo. Mais recentemente, Robinson embarcou em uma verdadeira cruzada contra o que ela chama de bodybuilder bottles, algo como “garrafas marombeiras”, que ela já vem condenando desde muito. Em seu site, ela criou uma campanha para que os assinantes divulguem quais são os produtores que seguem utilizando garrafas extra-pesadas, em busca de pressioná-los a mudar de atitude, clamando para que o público faça saber aos produtores que não se interessa por garrafas grandes, pesadas e reluzentes.