Peripécias Palacescas |

Já comi, já bebi, que que eu tô fazendo aqui?
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Cerveja, vinho e comida - A Revelação

Monday Jul 21, 2008

Alguns de vocês sabem da minha resistência à cerveja. Ou seja (sem trocadilhos), da minha resistência a BEBER cerveja. Sofro do mal-do-pandu-cheio, que é uma doença idiosincrática conflitante com o consumo da cerveja: após o primeiro copo o líquido se solidifica e incha, tornando-se uma verdadeira massa de pão mal-assado na minha barriga. Una-se a isto o sabor residual que me desagrada e a tendência das pessoas a consumir água-rala-amarga-e-mal-cheirosa nas esquinas e churrascos e é possível entender porque costumo evitar a dita-cuja.

Nesta semana, porém, fui convidado a participar de uma degustação singular e especial: inspirada no livro “He said beer, she said wine” da editora Dorling Kindersley, a reunião propunha-se a comparar as possibilidades de harmonização de 6 pratos com vinhos e cervejas e decidir qual se saía melhor. As cervejas foram selecionadas pelo expert Cássio Piccolo, que, acompanhado pelos “defensores da cerveja” André Clemente e Edu Passarelli, iria dar a opinião do cervejólogo/filo enquanto que Jorge Lucki ficou responsável pela escolha dos vinhos e foi acompanhado por mim e por Ricardo Castilho representando os enologistas/filos. Os pratos ficaram por conta do chef Rodrigo Martins, da loja Vino! de São Paulo e foram um espetáculo à parte.

Garfos e taças em punho, fomos a eles: a cada prato, uma cerveja e um vinho eram sugeridos como harmonização e avaliamos as combinações de textura e sabores de cada um deles, com muitas surpresas pelo menos para parte de nós. De fato, se excluirmos a sobremesa, na minha avaliação somente com um único prato a combinação atingiu o ponto ápice, o encontro entre comida e bebida a que se atribui oficialmente o título de “Harmonização” (com H maiúsculo): uma Polenta com Ragu de Ossobuco que ganhou infinitamente em sabor e casou-se perfeitamente com a textura cremosa, o adocicado e o amargor da - atenção - cerveja Maredsous 8.

A experimentação, para mim, foi de grande valia: confabulando com os comensais, questionando, contrapondo opiniões e avaliações, comecei a abrir espaço mental (e fisiológico) para a futura entrada de um golinho de cerveja aqui e ali e, em especial, para um belo copo selecionado de acordo com a comida e a ocasião. Edu Passarelli foi o grande pivô dessa abertura, com argumentos que, se minha preguiça, meu preconceito e minha aversão gratuita à cerveja tivessem permitido, eu mesmo poderia ter utilizado: não é necessário beber cerveja em doses cavalares e não é o caso de colocar em comparação as “cervejas” amplamente disponíveis no mercado com “Cervejas” artesanais e produzidas com alta qualidade.

Vamos ver o que o futuro reserva e quantas vezes ainda vou ouvir “Mas você não disse que não bebia cerveja?”

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Tags: cerveja, Degustação, embate, harmonização, Vinho

The Paulistan Paradox

Sunday Feb 24, 2008
Devo dizer que São Paulo é impressionante. É uma metrópole, cosmopolita, com todos os seus entra-e-sai de gringos, paraíbas e paulistanos. Rica, pobre, grande até perder de vista, possui aproximadamente escandalosos

12.500
restaurantes.

12.500. Doze mil e quinhentos.

Para uma pessoa como eu, que veio do interior, lá de Roça Grande das Minas Gerais - também conhecida como Belo Horizonte ou Capital do Ande-Cem-Metros-e-Pare-No-Sinal - doze mil e quinhentos, vejam bem, doze MIL e quinhentos restaurantes é uma quantidade interminável. Tem paulistano que diz que São Paulo é a capital internacional da gastronomia. Tem gringo que diz que não há lugar em que se coma melhor no mundo.

Pois bem: eu vim pra cá, todo canastra, mala e cuia na cabeça, no cata-jeca da modernidade, o avião da Gol. Vim com as pernas bambas, misto de angústia e excitação pela chegada à Meca alimentícia, ao ponto-de-convergência, pólo magnético de todo o Brasil.

E o que eu vi foi uma Babel da culinária: há restaurantes de comida japonesa (em proporção de 1 para cada semáforo de Belo Horizonte), de comida mongol (não, não estou sendo politicamente incorreto), de comida sueca (e eu que achava que eles eram planos e estéreis!), de “fala-qualquer-lugar-que-tem”.

Vamos por partes:

O paradoxo de São Paulo é que, com toda essa variedade, com toda essa oferta, com todo esse dinheiro, é relativamente difícil sair satisfeito de um restaurante da cidade. O que é chocante, na verdade, é a tamanha inconsistência da relação preço/comida/serviço.

Me explico: Se quiséssemos simplificar, poderíamos dividir os fatores de qualidade para a restauração em três partes:

1. Ambiente/Localização/Público
2. Qualidade do Cardápio/Carta de bebidas
3. Serviço e praticidades

É impressionante o tamanho da discrepância que há em São Paulo entre essas partes:

1. Normalmente, os restaurantes são bonitos. Em alguns casos, são esplendorosos, cheios de luzes e vidro e paredes de metros e metros de altura forradas de garrafas de whisky e vodka importada. Imagino que os arquitetos por aqui ou se matam pelos trabalhos fabulosos ou se esbaldam com a quantidade de demanda.

2. A comida, é claro, varia muito. Você pode comer no “D.O.M“. comida ultra-contemporânea em doses homeopáticas - foi isso o que me contaram, eu ainda não corri o risco -, pode escolher uma das zilhões de bilhares de churrascarias gigantescas ao estilo “Fogo de Chão” e “Porcão“. O japonês pode ser simples e rápido, pode ser tradicional e rico em opções, pode ser luxuoso, pode ser desconfortável.

Acho que é o caso de fazer notar a diferença entre restaurantes originalmente cariocas e suas novas sedes em São Paulo: enquanto no Rio casas como o “Esch” e o “Nam Thai” são pequenas e acolhedoras, discretas com a meia-luz e a decoração quase artesanal, na capital paulistana os mesmos restaurantes reluzem em vidro e lâmpadas, vitrines gastronômicas.

3. A qualidade média do serviço, porém - em todos os níveis de restaurante - é desesperadora: os garçons não sabem o que estão fazendo - nem como, nem quando - não conhecem os produtos com os quais estão trabalhando e não sabem se expressar.

Enquanto é perfeitamente possível comer muito bem e sem pagar caro, mesmo em um ambiente bonito e com serviço adequado como no “Nam Thai”, alguns lugares até muito badalados e “bem freqüentados” como um “Bar d’A Rua” estorquem seus clientes até o último centavo sem oferecer muito em troca (além do público que, sabe-se lá porque, realmente se dedica ao lugar).

Bar d’a Rua
Bar d’a Rua - público seleto, serviço desastroso e preços salgadinhos.

Não quero ser leviano e reclamar à toa, sem conhecer ainda os 12.497 restaurantes que não visitei. Me surpreende, porém, que uma cidade cosmopolita e rica, com seus investidores exigentes e metódicos, ainda não tenha descoberto que são as pessoas as partes mais importantes de qualquer negócio, o que dizer de um negócio tão visceralmente humano quanto a alimentação.

E o que tenho visto aqui, é que mesmo com todas as possibilidades de acesso à informação, todo o dinheiro, toda a multitude de chances de fazer dos restaurantes lugares completos e únicos, na maioria dos casos há um completo despreparo justamente das pessoas.

Pra não terminar com esse ar de “que porcaria!”, aí vai uma das melhores barganhas que já vi: a rede Vino!, de origem paranaense, que aportou em São Paulo no ano passado com uma estrutura invejável: através de sólidas parcerias com os importadores, a loja oferece em suas prateleiras uma ampla seleção de vinhos ao mesmo preço do importador.

Agora o grande lance: basta pegar a garrafa na prateleira, levá-la até a mesa e comer da comida dos chefs Rodrigo Martins e Jefferson Rueda por um preço MUITO convidativo.

Vino!
Vino! - bons preços, bom atendimento, boa oportunidade.

Venho escrevendo este artigo há quase um ano - segundo o meu computador, desde 31 de março de 2007, à 00:33. Quis esperar, visitar, ouvir, descer do tamanco. Vou seguir perambulando, experimentando e ouvindo, com a intenção de renovar as minhas impressões e encontrar serviços surpreendentemente bem-feitos por aí. Espero por vocês.

 adega, loja, polêmica, restaurante, São Paulo, serviço de mesa,

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Tags: adega, loja, polêmica, restaurante, São Paulo, serviço de mesa

Restaurant Week Brasil 2008

Monday Feb 18, 2008

Mais passeios: o Blog da Bebel Baeta lembra que a segunda edição do Restaurant Week Brasil começa semana que vem, desta vez em versão “Nacional”. Além de São Paulo, participarão do evento Salvador, Recife, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza, Costa do Sauípe e Belo Horizonte, cada cidade com sua programação e seleção de restaurantes coordenada por Josimar Melo.

A idéia do evento é estimular a ida aos restaurantes durante a baixa-temporada e contribuir para instituições de assistência através da doação de R$2,00, inspirando-se no Restaurant Week original de Nova York, que já se espalhou por todo o mundo. Os restaurantes funcionarão normalmente, mas oferecerão menus a preços fixos - em São Paulo, almoço R$25,00 e jantar R$39,00.

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Tags: eventos, menu degustação, promoções, restaurant week, restaurant week brasil, Restaurantes

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