Bernardo Silveira formou-se em Gastronomia enquanto ainda vivia em Belo Horizonte. Fez um pouco de tudo aqui e ali, mas trabalhou principalmente com serviço de salão em uma padaria/bistrot da cidade, em eventos e feiras, degustações de vinho e em seu próprio (projeto de) restaurante, O Itinerante. Fugiu das horas em pé diante das mesas para horas em pé diante de mesas, pessoas, garrafas, computadores trabalhando em uma distribuidora, que logo exportou-o para São Paulo, onde vive hoje e trabalha em uma importadora. Cursou dois níveis de WSET em Santiago do Chile e está se deseperando com o quanto não vem deixando o bumbum quadrado para o Diploma Level da mesma instituição. Enquanto isto, finge que faz de tudo para se manter magro enquanto engorda bebendo e comendo por aí.
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Rabiscado por Beda | Em Geografia, Provas
Friday Aug 15, 2008
Após um dia inteiro de Jerez e com uma prova de fortificados por vir, rever o material de hoje e passá-lo para cá vai ser de grande utilidade para assentar o estudo.
Também conhecidas como “bebida de tia”, especialmente na Inglaterra, as inúmeras variedades de vinhos da “tripla” denominação de origem Jerez/Xérès/Sherry perderam todo seu apelo durante as últimas décadas e a profusão de estilos e nomes que misturam espanhol e inglês confundem o público e afastam os iniciantes.
Numa tentativa ainda tímida de recuperar o prestígio de seus vinhos e de reconquistar o lugar de destaque que já tiveram no mercado, o Conselho Regulador da DO de Jerez e o governo andaluz desenvolveram um programa de formação de consumidores e educadores bastante bem estruturado, com um dos sites mais bonitos da rede enológica.
Jerez de La Frontera é considerada a cidade mais antiga do mundo ocidental. Com uma história de mais de 3000 anos, foi fundada pelos fenícios, exímios navegadores e grandes comerciantes, que por encontrar grande quantidade de uva nativa, deram à cidade o nome de Xera (”uva”). Não é difícil compreender como as inúmeras corruptelas que se seguiram (Ceret, em Latim, Šeriš, também “uva”, em árabe antigo, Sherish e outras pequenas variações) vieram a culminar em Jerez ou Xerez na Espanha, Xérès, na França e Sherry, na Inglaterra.
Localizada no extremo sudoeste espanhol, a região de Jerez se destaca especialmente por seu solo - o “segredo de Jerez” segundo Pancho Campo, um dos expoentes do vinho na Espanha. As áreas consideradas de melhor qualidade, denominadas em conjunto Jerez Superior, são justamente as com solo rico em Albariza, ou carbonato de cálcio, um dos inúmeros compostos calcáreos, inseridas num triângulo imaginário entre as cidades de Jerez de La Frontera, Sanlúcar de Barrameda e Puerto de Santa Maria.
Os vinhedos secundários se localizam em bolsões de cultivo ao redor do triângulo, componentes da área chamada de Jerez Zona, com solo predominantemente composto de areias e argilas, conhecidos como “Arenas y Barros” em espanhol.
Capaz de refletir os raios solares e armazenar bem água para alimentar as videiras durante a sequía, a Albariza origina mais de 80% das uvas utilizadas na produção de Jerez e é o solo ideal para a uva símbolo da denominação: Palomino Fino. É com ela que se produz o grande vinho da região, o Fino (ou Manzanilla, em Sanlúcar), paradoxalmente também o mais barato (!).
Além da Palomino são utilizadas, para alguns estilos de Jerez, as variedades Pedro Ximenez e a mundialmente difundida Moscatel e o principal problema do grande público é compreender o que é o quê na produção dos vinhos, já que os cerca de 10 estilos diferentes fazem uma bela salada de uvas, processos e termos.
No próximo post vou descrever a produção de Jerez e os principais estilos e tentar deixar claro o “quem é quem” de la frontera.
Rabiscado por Beda | Em Debate
Tuesday Aug 12, 2008
A simpática Helô, do blog É só um diário… descobriu este sisteminha de avaliação que diz qual é o vinho que você é, de acordo com suas respostas. Aparentemente eu sou um Merlot. Que vinho é você?
You Are Merlot
Smooth, confident, and popular - you’re the type most likely to order wine for the whole group.
You seem to breeze through life on your intuition and wit. And no one seems to mind!
You’re comfortable in any social situation you find yourself in, and you never feel outclassed.
And while you live a charmed life, you never let it go to your head. You are truly down to earth and a great friend.
Deep down you are: Balanced and mature
Your partying style: Surprisingly wild… when you let loose, you really let loose
Your company is enjoyed best with: Some greasy pizza
Lendo hoje o teaser “Screwcaps are best: Decanter verdict” para a matéria deste mês da revista inglesa - 50 Reasons to Love Screwcap - que conta como todos os editores, degustadores, faxineiros e estagiários da revista consideram screwcap a melhor forma de fechar vinhos, me intrigou um pouco a maneira um tanto… festiva, de publicarem a própria opinião.
Mesmo sabendo que esta é considerada a mais imparcial e independente revista do meio e mesmo sendo pessoalmente a favor de uma utilização bastante ampla de screwcap, fiquei me coçando com a quantidade de confete que o editor imprimiu (trocadilho infame) à opinião da redação, já que este é um tema altamente econômico e certamente lobístico do mundo do vinho.
O mercado brasileiro, é claro, segue refutando as tampas como se nada houvesse acontecido, embora tenha aprendido bastante rapidamente a devolver vinhos “estragados” independente da origem do problema. Entende-se: o charme do saca-rolhas é grande e a insegurança sobre a opinião da mídia (justificadamente) é muita, enquanto nariz e oportunidade para aprender a encontrar defeitos falta…
Há pouco tempo recebi de um produtor australiano um email solicitando que decidíssemos qual seria nossa posição oficial sobre screwcap para o próximo “período”, tendo em vista que a linha de engarrafamento dele já está voltada para o uso das tampas de rosca e o custo de manter uma linha ambivalente está crescendo muito.
De acordo com o produtor, dos pouco menos de 50 países que compõem o mercado de seus vinhos, mais ou menos a metade insiste em utilizar a rolha ou está em dúvida ainda sobre como proceder (Argentina, Uruguay, Barbados, Brasil, China, Croácia, Fiji, França, Islândia, India, Indonésia, Israel, Malásia, México, Nova Caledônia, Noruega, Ilhas do Pacífico, Romênia, Suíça, Taiwan, Turquia, Emirados Árabes Unidos utilizaram rolhas em todos os seus vinhos tintos até o momento, enquanto Bélgica e Luxemburgo já solicitaram uma transição gradual nos próximos 3 anos e todos os grandes consumidores mas nem tão grandes produtores já recebem TODA a linha - inclusive rótulos de alto calibre e custo - fechada a rosca.
É importante notar que entre os países que ainda resistem à screwcap (particularmente em vinhos australianos, notadamente reconhecidos por utilizar amplamente o fechamento alternativo), são mercados muito significativos para o vinho somente a França e a Argentina (nenhum dos outros ultrapassou o próprio Brasil em volume de consumo em 2005!).
Volto a dizer, então: é fato que screwcap, além de baratear a produção, garante uniformidade entre as garrafas e anula o risco do vinho se deixar afetar pelo TCA e vale lembrar que a Austrália vem engarrafando seus vinhos assim já há 30 anos e praticamente toda a produção neo-zelandesa recebe as tampinhas. Por outro lado, ninguém sabe ainda como irão se comportar os “grandes” vinhos com o passar do tempo. O que não dá pra engolir é gente falando que “não compro vinho com tampa de rosca”…