Peripécias Palacescas |

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Matt Kramer e O Armazenamento de Vinhos

Wednesday Sep 26, 2007
Segundo Matt Kramer (na foto ao lado), escritor e colunista da Wine Spectator, o vinho que cabe no seu bolso é aquele que você pode comprar em caixa de 12 e abrir as garrafas em períodos regulares de tempo para observar as mudanças no vinho. Ao término da caixa, você acaba por conhecer intimamente aquele vinho!

Seria ótimo se todos pudéssemos ter “caixas de 12″ em número suficiente para beber diferentes vinhos e ainda tornarnos íntimos deles, mas o grande desafio está em encontrar o equilíbrio entre o que queremos e o que podemos, de fato, pagar.

Independente de quanto e como bebemos, uma das questões mais tratadas (ou mal-tratadas) do mundo do vinho é o quando, que depende do armazenamento do vinho. No mesmo livro em que avalia nossa relação bolso/vinho, Kramer faz uma interessante análise da quantidade de informações deturpadas, desatualizadas e mal-aplicadas que são veiculadas sobre a estocagem de vinho.

“As adegas: você está pronto para a realidade?”
Com este título, um inteiro capítulo dedica-se a desmanchar uma série de “lendas” do vinho. Garrafas deitadas para manter a rolha úmida? Luz de velas para entrar em uma adega subterrânea? A temperatura não pode variar?

Quantas são as regras comumente veiculadas pela mídia, pelos especialistas e pelos chatos de plantão? Sem dúvida elas não existem sem fundamento, mas algumas análises de importantes laboratórios científicos mostraram que a maioria delas simplesmente parou no tempo…

De acordo com Kramer, os estudos mais importantes e conclusivos foram elaborados pelo Dr. Vernon L. Singleton, na Universidade de Davis, na Califórnia; no Centro de Pesquisas de Long Ashton, em Londres; e na Universidade de Bordeaux, pelo Professor Ribereau-Gayon.

Seguindo o roteiro do capítulo, vejamos algumas das mais famosas regras da adegagem questionadas pelos pesquisadores (e pela lógica):

Vinho e Umidade
Vinho e Movimento

próximos temas:

Vinho e Calor
Vinho e Luz

Tags: adega, matt kramer

Banalização da Complexidade

Friday Jun 1, 2007
Revue du Vin de France, edição de abril. Coluna de Éric Riwer:

Le Figaro quer ‘acabar com a eno-complexidade’, a saber, o fenômeno pelo qual os franceses ficam complexados pela sua falta de conhecimento sobre o vinho. Segundo uma sondagem efetuada pelo Ipsos-Afvin, 60% dos franceses confessam não compreender nada sobre vinho.

Isto explica a constatação publicada por Les Échos em um artigo entitulado ‘O mundo do vinho faz sua pedagogia’. Gérard Bertrand explica: ‘É necessário propor códigos de leitura diferentes […] para tornar o mundo do vinho mais acessível’. Ele mesmo comercializa vinhos com nomes como ‘Viognier Voltigeur’ e ‘Syrah Canaille’.

Boa idéia ou furada? Eu sou a favor da inovação, mas permaneço surdo aos chamados imbecilizantes das sereias do marketing da tendência fun.

Paralelamente à redação desta coluna, tenho responsabilidades em uma escola de arte. Lá eu me asseguro de que todos os dias a demanda pedagógica exija uma mistura fina de rigor e de estrutura, enriquecidos com fantasia e criatividade. É um trabalho no fio da navalha, que demanda equilíbrio e exigência, mas em que a vertigem não está nunca muito longe. Querer reduzir o aprendizado de uma arte ou de um mundo complexo a noções simples que tocam a superficialidade me parece roubar no xadrez.

Não se deve banalizar um mundo rico, pleno de sentidos e de sensações. Ele deve permanecer um prazer. Como diz a jornalista Jacqueline Friedrich, ‘o mundo do vinho é talmente interessante que, quanto mais se aprende, mais tem-se vontade de aprender. O vinho abre todos os tipos de janelas’.”

Por coincidência - ou talvez não - três cartas da seção de correspondência da mesma edição respondiam a algum leitor que na revista anterior tinha se manifestado a favor de simplificar as etiquetas. Uma delas:”Eu gostaria de reagir à carta de Fulanô, que julga os vinhos franceses muito complicados. Reduzir o número de informações nas etiquetas é rebaixar a distribuição do vinho à de um produto de supermercado, sem se preocupar com o que o consumidor quer ou procura. Diga aos amadores que pensam que as etiquetas são muito complicadas que eles podem bater na porta de uma adega: eles terão as respostas às suas questões e encontrarão também um serviço real.”

Vou esperar pra ver se alguém vai comentar. Tem alguém aí??

Tags: adega, blog, blogger, marketing, serviço, Vinho

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