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Vimos rapidamente alguns dos fatores que determinam os custos de produção do
vinho, mas antes que o precioso líquido chegue às mãos dos consumidores, há ainda uma série de etapas a serem vencidas.
Antes de tudo,
embalagem:
- Beleza não põe mesa, mas as garrafas mais bonitas com rótulos charmosos e elegantes sem dúvida são convidativas e atraentes. Mas têm um custo.
Embora muitas pessoas digam não ligar para embalagem, há fatores objetivos relacionados à ela:
- Garrafas mais pesadas, de vidro grosso e resistente, dos vinhos de mais alta qualidade, não são simplesmente objetos fetichistas para exibir poder e status: garantem uma proteção eficiente a um vinho que tem potencialmente muitos anos de vida - e um custo elevado demais para se arriscar a quebrar por qualquer coisa.
- As meias-garrafas, tão úteis para muitos, mas incompreendidas por quase todos, normalmente custam 70% - e não 50% - do valor total de uma garrafa. Os custos de insumos secos, como garrafa, rolha, rótulo, são os mesmos dos para garrafas de 750 ml. Os de mão-de-obra, transporte, taxas alfandegárias, também. Pior: muitas vezes, taxas são acrescidas em função do valor reduzido do produto líquido…
Em seguida, o frete. Muitos dos vinhos que consumimos fazem uma “discreta” viagem até o nosso país. Europa, Austrália, África do Sul…
- O Chile, que muitos pensam ser vizinho, está na verdade a uma distância de entrega considerável: os vinhos navegam pelo Pacífico até fazerem a volta pelo sul, chegando até nós pelo Atlântico.
- Trazer vinhos dos Estados Unidos custa mais caro que trazê-los da Europa!
- A Argentina poderia ser o que se salva, pois está muito próxima geograficamente e recebe um descontinho nos preços por conta do Mercosul, o que nos leva a tratar dos impostos:
que talvez sejam o ponto de maior impacto para o mercado.
Muitos apreciadores, quando têm a possibilidade de fazer uma viagem a um país produtor, se dão conta da IMENSA diferença de preços de lá para cá. Muitas vezes um vinho pode ser comprado com diferenças de até 300%!!!
O que a maioria não sabe é que, antes de pagar ao produtor, um importador no Brasil tem de pagar - além do frete - ao governo.
Fato é que, assim que o vinho entra no porto, o importador tem que pagar à vista, em dinheiro, transferência imediata, pegou-pagou, o equivalente a 115% do valor daquele carregamento!
E, com “valor do carregamento”, quero dizer TODO o custo que esteja declarado, somando-se o frete e quaisquer taxas que tenham sido embutidas na nota (vocês não acham que o governo do país de origem ia perder uma boquinha dessas também, não é?).
Não se esqueçam de considerar as diferenças tributárias internas (Minas Gerais e sua famosa “Substituição Tributária”) e das distâncias e condições de frete ao reclamar também das diferenças de preço entre os estados!
Comecem a fazer uns cálculos simples e verão que, até que o vinho possa chegar às mãos do consumidor, não há muitas formas de conter os preços com relação ao valor original. Por outro lado, sabendo de que forma se constrói o preço, não somente valorizamos a garrafa que estamos adquirindo como podemos procurar nos proteger de eventuais abusos que o mercado impõe.
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Vinho
Château Lafite 1787: US$ 160.000,00
Domaine de La Romanée Conti 2001: US$ 8.000,00
Don Melchor 2002: R$ 225,00
Don Laurindo Gran Reserva 2002: R$ 121,95
Chapinha: R$ 4,00
Algumas pessoas com freqüência se assustam com a quantidade de algarismos que pode atingir o preço de certos vinhos e eu diria que a indignação pelos milhares de dólares por uma ou outra garrafa de raridade inigualável ou grande apelo de status é até fartamente justificável.
É importante, porém, não deixar de debater, especialmente com os mais recém-chegados ao mundo do
vinho “de qualidade” (pra não usar o termo “fino”, que de tão mau-gasto já virou foi “magro”) sobre a escadinha de preços e qualidade que existe tão explicitamente no mercado, já que, apesar das aparências, esta não é uma questão necessariamente aleatória. De acordo com Bill Turretine, presidente da Turretine Brokerage - uma empresa americana que se encarrega de comprar e vender uva e
vinho pronto para os grandes produtores - podemos realizar uma fórmula simples:
Valor do Produto = Qualidade + Relação Qualidade/Preço Percebida
Isso pode ser verdadeiro para um produto relativamente simples e dá uma noção de por onde começar, mas a cadeia de produção e distribuição de vinhos é tão ampla e complexa que se torna difícil para alguém na ponta final perceber a quantidade de fatores que influenciam no custo e qual o real valor disso para ele mesmo.
Pois bem, porque o
vinho custa o que custa?
Vamos começar com a Produção:
O primeiro, primordial e mais importante fator, é a
uva.
Base da elaboração do
vinho, a uva é o princípio do custo e sua
qualidade e a quantidade de
trabalho envolvida em seu processamento são os fatores que mais nos interessam.
Enquanto uvas produzidas em larga escala - por consequência com menor concentração dos componentes que depois irão caracterizar o vinho resultante - custam X, as uvas extremamente selecionadas, com até um terço do rendimento por hectare das anteriores, originárias de terrenos especialmente dotados de elementos que enriqueçam a bebida, podem vir a custar até 60X, incluindo aí na conta o potencial valor percebido que sua região de origem possa acarretar.
A diferença de custo passa, portanto, pela série de opções a que o enólogo tem acesso e que influirão diretamente no vinho produzido. De acordo com Christopher Fielden, da WSET, as principais são:
-
Mão-de-obra e trabalho requeridos: vinhedos isolados, em terrenos íngremes, etc. contribuem muitas vezes para frutos de qualidade superior mas possuem custos superiores, por exemplo, a impossibilidade de uso de maquinários agrícolas.
-
Custo e disponibilidade de mão-de-obra, o que varia de região para região.
-
Economia de escala: quanto mais
vinho, maior a diluição do custos, mas menor a possiblidade de se obter alto nível de qualidade.
-
O grau de seleção das uvas, o que constitui trabalho de custo elevado. Além disso, material descartado = menor quantidade de produção.
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Rendimento: maior quantidade de uvas produzidas permite uma divisão dos custos fixos melhor, enquanto produções reduzidas podem resultar em maior qualidade.
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Custo da terra: algumas regiões têm um custo extremamente elevado, seja por suas características - e conseqüente qualidade do
vinho produzido - que por eventuais competições pelo uso da terra, como no subúrbio de Santiago do Chile ou Adelaide, na Austrália.
Na Itália, por exemplo, há uma regulamentação MUITO estrita sobre o espaço de produção destinado ao
vinho: praticamente não se pode plantar nada sem que outro vinhedo seja removido!
-
Equipamento utilizado: existe uma infinidade de diferentes equipamentos com diferentes objetivos, desde os mais simples (armazenamento do mosto a ser transformado em
vinho) aos mais complexos (cones para remoção do excesso de álcool através de osmose reversa). Cada um deles tem seu custo e sua utilidade para a produção de vinhos de qualidade.
-
Barricas: uma barrica de carvalho francês, reconhecidamente o mais desejável na produção vinícola, pode custar de 700 a 800 euros e não é aproveitada por mais do que 3 ou 4 anos.
Já veremos como a embalagem, a distribuição e os impostos afetam os custos do vinho. Enquanto isso, para ler, em inglês, um exercício aproximado de elaboração de custo de um vinho, clique aqui.
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