Peripécias Palacescas |

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Jerez - Introdução

Friday Aug 15, 2008

Após um dia inteiro de Jerez e com uma prova de fortificados por vir, rever o material de hoje e passá-lo para cá vai ser de grande utilidade para assentar o estudo.

Também conhecidas como “bebida de tia”, especialmente na Inglaterra, as inúmeras variedades de vinhos da “tripla” denominação de origem Jerez/Xérès/Sherry perderam todo seu apelo durante as últimas décadas e a profusão de estilos e nomes que misturam espanhol e inglês confundem o público e afastam os iniciantes.


©Sherry.org

Numa tentativa ainda tímida de recuperar o prestígio de seus vinhos e de reconquistar o lugar de destaque que já tiveram no mercado, o Conselho Regulador da DO de Jerez e o governo andaluz desenvolveram um programa de formação de consumidores e educadores bastante bem estruturado, com um dos sites mais bonitos da rede enológica.

Jerez de La Frontera é considerada a cidade mais antiga do mundo ocidental. Com uma história de mais de 3000 anos, foi fundada pelos fenícios, exímios navegadores e grandes comerciantes, que por encontrar grande quantidade de uva nativa, deram à cidade o nome de Xera (”uva”). Não é difícil compreender como as inúmeras corruptelas que se seguiram (Ceret, em Latim, Å eriÅ¡, também “uva”, em árabe antigo, Sherish e outras pequenas variações) vieram a culminar em Jerez ou Xerez na Espanha, Xérès, na França e Sherry, na Inglaterra.

Localizada no extremo sudoeste espanhol, a região de Jerez se destaca especialmente por seu solo - o “segredo de Jerez” segundo Pancho Campo, um dos expoentes do vinho na Espanha. As áreas consideradas de melhor qualidade, denominadas em conjunto Jerez Superior, são justamente as com solo rico em Albariza, ou carbonato de cálcio, um dos inúmeros compostos calcáreos, inseridas num triângulo imaginário entre as cidades de Jerez de La Frontera, Sanlúcar de Barrameda e Puerto de Santa Maria.

Os vinhedos secundários se localizam em bolsões de cultivo ao redor do triângulo, componentes da área chamada de Jerez Zona, com solo predominantemente composto de areias e argilas, conhecidos como “Arenas y Barros” em espanhol.

Capaz de refletir os raios solares e armazenar bem água para alimentar as videiras durante a sequía, a Albariza origina mais de 80% das uvas utilizadas na produção de Jerez e é o solo ideal para a uva símbolo da denominação: Palomino Fino. É com ela que se produz o grande vinho da região, o Fino (ou Manzanilla, em Sanlúcar), paradoxalmente também o mais barato (!).

Além da Palomino são utilizadas, para alguns estilos de Jerez, as variedades Pedro Ximenez e a mundialmente difundida Moscatel e o principal problema do grande público é compreender o que é o quê na produção dos vinhos, já que os cerca de 10 estilos diferentes fazem uma bela salada de uvas, processos e termos.

No próximo post vou descrever a produção de Jerez e os principais estilos e tentar deixar claro o “quem é quem” de la frontera.

Tags: albariza, espanha, jerez, Jerez de La Frontera, manzanilla, pancho campo, pedro ximenez, Puerto de Santa Maria, Sanlúcar de Barrameda, Sherry, Xérès

Um País de Países

Friday Mar 7, 2008

A Espanha é freqüentemente exaltada como o país do presente e do futuro do vinho. Com a maior área sob vinhedos do mundo e a terceira maior produção, usufrui mais que qualquer outro país das reviravoltas tecnológicas e culturais do vinho nas duas ou três últimas décadas: um salto de qualidade imenso, muito investimento de enólogos e produtores extremamente empreendedores e a boa estrela de ter encantado os principais especialistas do mercado internacional com seus grandes vinhos colocaram o país na “ponta-cortante” da viti-vinicultura mundial.

Por outro lado a Espanha é conhecida também pela dificuldade de emplacar com o grande público. Seus vinhos atraentes, ricamente aromáticos e raramente desinteressantes encontram-se em todos os estilos, desde os refrescantes brancos de Albariño, passando por Jovenes frutados até Gran Reservas austeros à moda antiga, mas os preços não costumam ser estimulantes e, acima de tudo, há pouco ou nenhum movimento de divulgação por parte das autoridades espanholas.

Há quem diga que a grande diversidade e a maior ainda disparidade culturais - os catalães não conversam com os manchegos, que não falam com os bascos, que nem se consideram espanhóis e por aí vai - sejam as principais responsáveis pela falta de tato em fazer chegar estes vinhos ao grande público, deixando nas mãos de alguns produtores com pendão marketeiro quase qualquer difusão da cultura do vinho espânico (vide Osborne, Tio Pepe - que não está nas mãos de espanhóis - e Codorniú).

ViniPortugal MarketingHarpers, a mega-central de notícias inglesa da indústria do vinho, acaba de anunciar uma discreta iniciativa em direção ao que pode se tornar um pioneirismo de relevância para a enologia do país, embora por enquanto somente para o mercado londrino: a criação e difusão de uma campanha padronizada elaborada pelo Consejo Regulador DOC Rioja, o órgão que conduz e regulariza a produção na região, com direito a logotipo modernoso e eventos em Londres para levar ao público o que eles vêm produzindo de melhor.

Similar à intensa - e bem sucedida - campanha que a ViniPortugal vem desenvolvendo em todo o mundo - com ênfase no Brasil e EUA -, a versão riojana contará com propagandas na mídia a partir do segundo semestre e já possui um site acessível e educativo (atualmente, só em inglês) que explica como se classificam oficialmente os vinhos na região, onde comprar, onde beber quando for comer, o melhor de tudo, sugestões de receitas regionais para combinar com alguns vinhos!

Enquanto isso, o órgão “oficial” do governo espanhol para o vinho, “Vinos de España“, mantido pelo Instituto Espanhol de Comércio Exterior, continua meio apagadinho…

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Tags: codorniu, espanha, harpers, marketing, osborne, rioja, tio pepe, Vinho

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