Bernardo Silveira formou-se em Gastronomia enquanto ainda vivia em Belo Horizonte. Fez um pouco de tudo aqui e ali, mas trabalhou principalmente com serviço de salão em uma padaria/bistrot da cidade, em eventos e feiras, degustações de vinho e em seu próprio (projeto de) restaurante, O Itinerante. Fugiu das horas em pé diante das mesas para horas em pé diante de mesas, pessoas, garrafas, computadores trabalhando em uma distribuidora, que logo exportou-o para São Paulo, onde vive hoje e trabalha em uma importadora. Cursou dois níveis de WSET em Santiago do Chile e está se deseperando com o quanto não vem deixando o bumbum quadrado para o Diploma Level da mesma instituição. Enquanto isto, finge que faz de tudo para se manter magro enquanto engorda bebendo e comendo por aí.
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Rabiscado por Beda | Em Viagens
Sunday Apr 27, 2008
20 dias meio loucos, de 7 às 24 com vinho em mente. 6 dias de Itália, 7 de França e 6 em Londres para a primeira parte (de seis) do Diploma in Wine and Spirits do WSET.
Atolado de trabalho acumulado e com feiras de vinho chovendo em mim, sou forçado a postergar as peripécias européias…
Com este título, a coluna de vinhos do Estado de São Paulo fechou o último ano avaliando alguns dos mais renomados espumantes do mercado e explicando, pela enésima vez, que nem tudo que borbulha é champagne.
Eis que hoje o site da revista inglesa Decanter traz uma notícia de alegrar os corações dos produtores da famosa região francesa e mostra a liçãozinha que o governo belga dá (e em teoria o de qualquer país da OMC também deveria) para aqueles que ainda insistem em fazer uso indevido de nomes como Champagne, Porto, Jerez, entre outros.
O video abaixo (de propriedade da Decanter.com) ilustra com maior eloqüência o que alguns produtores (inclusive brasileiros) deveriam esperar para os seus produtos:
De acordo com o presidente do CIVC - o órgão regularizador da região da Champagne -, “desde a implementação de leis mais rigorosas, agentes alfandegários e de fronteira em toda a Europa apreenderam e destruíram milhares de garrafas nos últimos 4 anos que traziam ilegalmente o nome Champagne em seus rótulos, incluindo produtos dos Estados Unidos, Argentina, Rússia, Armênia, Brasil e Etiópia”.Alguns produtores brasileiros, tão preocupados em obter do mercado um reconhecimento pela crescente qualidade, deveriam ter em mente que, no mundo do vinho, o que não está dentro da garrafa também conta - e muito -, inclusive respeito pelo consumidor.
Rabiscado por Beda | Em Debate
Thursday Jun 14, 2007
Para ler a primeira parte deste artigo, clique aqui.
Vimos rapidamente alguns dos fatores que determinam os custos de produção do vinho, mas antes que o precioso líquido chegue às mãos dos consumidores, há ainda uma série de etapas a serem vencidas.
Beleza não põe mesa, mas as garrafas mais bonitas com rótulos charmosos e elegantes sem dúvida são convidativas e atraentes. Mas têm um custo.
Embora muitas pessoas digam não ligar para embalagem, há fatores objetivos relacionados à ela:
Garrafas mais pesadas, de vidro grosso e resistente, dos vinhos de mais alta qualidade, não são simplesmente objetos fetichistas para exibir poder e status: garantem uma proteção eficiente a um vinho que tem potencialmente muitos anos de vida - e um custo elevado demais para se arriscar a quebrar por qualquer coisa.
As meias-garrafas, tão úteis para muitos, mas incompreendidas por quase todos, normalmente custam 70% - e não 50% - do valor total de uma garrafa. Os custos de insumos secos, como garrafa, rolha, rótulo, são os mesmos dos para garrafas de 750 ml. Os de mão-de-obra, transporte, taxas alfandegárias, também. Pior: muitas vezes, taxas são acrescidas em função do valor reduzido do produto líquido…
Em seguida, o frete. Muitos dos vinhos que consumimos fazem uma “discreta” viagem até o nosso país. Europa, Austrália, África do Sul…
O Chile, que muitos pensam ser vizinho, está na verdade a uma distância de entrega considerável: os vinhos navegam pelo Pacífico até fazerem a volta pelo sul, chegando até nós pelo Atlântico.
Trazer vinhos dos Estados Unidos custa mais caro que trazê-los da Europa!
A Argentina poderia ser o que se salva, pois está muito próxima geograficamente e recebe um descontinho nos preços por conta do Mercosul, o que nos leva a tratar dos impostos:
que talvez sejam o ponto de maior impacto para o mercado.
Muitos apreciadores, quando têm a possibilidade de fazer uma viagem a um país produtor, se dão conta da IMENSA diferença de preços de lá para cá. Muitas vezes um vinho pode ser comprado com diferenças de até 300%!!!
O que a maioria não sabe é que, antes de pagar ao produtor, um importador no Brasil tem de pagar - além do frete - ao governo.
Fato é que, assim que o vinho entra no porto, o importador tem que pagar à vista, em dinheiro, transferência imediata, pegou-pagou, o equivalente a 115% do valor daquele carregamento!
E, com “valor do carregamento”, quero dizer TODO o custo que esteja declarado, somando-se o frete e quaisquer taxas que tenham sido embutidas na nota (vocês não acham que o governo do país de origem ia perder uma boquinha dessas também, não é?).
Não se esqueçam de considerar as diferenças tributárias internas (Minas Gerais e sua famosa “Substituição Tributária”) e das distâncias e condições de frete ao reclamar também das diferenças de preço entre os estados!
Comecem a fazer uns cálculos simples e verão que, até que o vinho possa chegar às mãos do consumidor, não há muitas formas de conter os preços com relação ao valor original. Por outro lado, sabendo de que forma se constrói o preço, não somente valorizamos a garrafa que estamos adquirindo como podemos procurar nos proteger de eventuais abusos que o mercado impõe.