Rabiscado por Beda | Em Geografia , Provas
Tuesday Sep 9, 2008
Como já vimos , na produção de Jerez a primeira seleção dos vinhos é feita logo após a fermentação, quando o enólogo ou o capataz (o responsável pela manutenção das botas , os barris de Jerez) separa os lotes de acordo com a qualidade e o refinamento: os melhores vinhos serão utilizados na produção de Fino , sob crianza biologica , enquanto os menos delicados, mais rústicos vinhos servirão para a produção do Oloroso .
O capataz seleciona os vinhos com base na degustação.
Oloroso quer dizer literalmente, em espanhol, perfumado: o objetivo aqui será o de potencializar os perfumes do vinho através de uma exposição controlada ao oxigênio, daà crianza oxidativa . Com o habitual 1/6 de bota sem preencher, o vinho terá um longo contato com o ar do espaço vazio, do qual não estará isolado, uma vez que o álcool adicionado irá ultrapassar o limite da resistência da levedura de flor , indo até cerca de 18º. Após um ou dois dias em contato com todo o álcool, a levedura morre e o vinho começa a sofrer oxidação.
2a. Avaliação e mais oxidação
Ao longo do processo, o capataz segue provando os vinhos e vigiando as botas, de maneira a controlar que o desenvolvimento da flor esteja sendo adequado. Num tempo passado era possÃvel que, por algum motivo, um vinho destinado a se tornar Fino não desenvolvesse a capa de leveduras que o protegeria do ar ou que, após algum tempo de crianza biologica o véu se desmanchasse - vale lebrar que as leveduras são muito suscetÃveis à s condições do ambiente.
No primeiro caso, sem influência da flor e com alta qualidade, aquele vinho iria se tornar um Palo Cortado , ou seja, uma barrica antes indicada com um |, iria receber um novo traço, anulando aquela qualificação. O vinho iria receber uma nova fortificação - ou encabezado - e seria destinado à crianza oxidativa.
No segundo caso, após algum tempo sob influência das leveduras, o vinho iria também receber o encabezado e seguiria sua crianza também de maneira oxidativa, mas, já marcado pelas caracterÃsticas da flor , seria chamado Amontillado .
Hoje ambas formas de produção são de interesse comercial: os produtores não aguardam, portanto, os caprichos da natureza: decidem evitar ou interromper a formação do véu adicionando álcool no momento justo e criando um novo vinho para o público da maneira que lhes convém.
Vamos seguir falando de Jerez para entender o funcionamento das Soleras, o sistema de envelhecimento dos vinhos na região.
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Rabiscado por Beda | Em Geografia
Thursday Aug 21, 2008
A melhor surpresa (de algumas) de ter participado da Aula de Formação de Jerez foi a capacidade de Pancho Campo de explicar a produção de Jerez como se fosse um detalhezinho simples do mundo do vinho .
Bom, pode ser que alguns vejam a produção do vinho mais icônico e abandonado da Espanha como algo simples, mas pelas interrogações estampadas nas testas alheias e pela minha própria dificuldade em entender o que é que era o quê no passado, eu diria que o futuro MW espanhol acertou em cheio na aula dada na sede da ABS/SP na sexta-feira 15. Então, seguindo com a minha revisão, aà vai um descritivo sobre os diferentes estilos de vinhos de Jerez.
Fino, Manzanilla, Amontillado, Oloroso, Palo Cortado, Pedro Ximenez
No post anterior vimos que a uva mais importante para a região, Palomino Fino, cresce com muita qualidade nos solos de “albariza”, compostos com grande quantidade de calcário, enquanto os solos argilosos produzem vinhos mais brutos e menos sutis.
1ª Avaliação.
O resultado da fermentação destas uvas é um vinho de teor alcoólico relativamente baixo e completamente seco , bastante neutro, que os andaluzes chamam de mosto e que o enólogo irá provar e avaliar com relação à qualidade e o refinamento.
Nesta primeira avaliação acontece a decisão mais básica para o estilo de Jerez que será produzido: se o vinho é delicado e refinado (comumente proveniente das albarizas ), ele será direcionado à produção de Fino , receberá adição de álcool vinÃco até um máximo de 15,5% e será armazenado em barris marcados com um “|” . Os de qualidade mais baixa, sem a delicadeza que um Fino exige, serão utilizados para a produção de Oloroso e serão fortificados até 18% , sendo estocados em barris marcados com um “O” .
O enólogo risca a barrica, indicando um vinho de alta qualidade.
Os barris utilizados, com 600 a 650 litros de capacidade, são sempre já muito usados , uma vez que não é o objetivo em Jerez que o vinho receba influência da madeira. Parte do barril permanece sem preencher ; cerca de 1/6, cheio de ar, é o que permite o desenvolvimentos dos dois processos que irão diferenciar os vinhos, o biológico e o oxidativo .
Crianza Biológica - Fino e Manzanilla
O “milagre” de Jerez é o que cria o verdadeiro caráter dos Finos: a formação de uma capa de leveduras tÃpicas da região, conhecida como Velo de Flor , que influencia o vinho marcadamente. As leveduras se alimentam de açúcar, álcool e glicerina, consumindo-os aos poucos, enquanto transformam o lÃquido profundamente.
Esta é a chamada crianza biologica : o amadurecimento do vinho por influência de organismos vivos. O principal componente desta infuência é chamado de acetaldeÃdo , um composto de meio termo entre o vinho e o vinagre que em qualquer vinho comum indica um sério problema de vinicultura. Em Jerez, porém, ele é a alma do vinho .
O “véu” é delicado e suscetÃvel à s condições do ambiente, mas protege o vinho da oxidação , isolando-o do ar, enquanto gera os aromas caracterÃsticos dos Finos. Na região de Montilla, fora da área de Jerez, o desenvolvimento da flor praticamente se interrompe durante os meses de Julho e Agosto, quando o calor é muito, enquanto na cidade de Jerez de la Frontera, ele acontece durante todo o ano. Por outro lado, em El Puerto de Santa Maria e em Sanlúcar de Barrameda (ver mapa ), as brisas e a influência do mar fazem com que o véu seja ainda mais espêsso e uniforme e que variedades diferentes de levedura cresçam.
"Velo de Flor", o véu de leveduras.
É daà que surge a primeira sub-divisão : as uvas para a produção de Jerez podem PROVIR de qualquer área dentro do marco de jerez , mas ONDE os vinhos serão amadurecidos é fundamental. As nuances resultantes da crianza biológica determinam que serão chamados de “Fino ” os adegados em Jerez e El Puerto de Santa Maria e de “Manzanilla ” os adegados na cidade de Sanlúcar de Barrameda e é somente nestes três pólos que os vinhos de Jerez podem ser amadurecidos e comercializados.
Na seqüência: Oxidação !
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Rabiscado por Beda | Em Geografia , Provas
Friday Aug 15, 2008
Após um dia inteiro de Jerez e com uma prova de fortificados por vir, rever o material de hoje e passá-lo para cá vai ser de grande utilidade para assentar o estudo.
Também conhecidas como “bebida de tia”, especialmente na Inglaterra, as inúmeras variedades de vinhos da “tripla” denominação de origem Jerez/Xérès/Sherry perderam todo seu apelo durante as últimas décadas e a profusão de estilos e nomes que misturam espanhol e inglês confundem o público e afastam os iniciantes.
©Sherry.org
Numa tentativa ainda tÃmida de recuperar o prestÃgio de seus vinhos e de reconquistar o lugar de destaque que já tiveram no mercado, o Conselho Regulador da DO de Jerez e o governo andaluz desenvolveram um programa de formação de consumidores e educadores bastante bem estruturado, com um dos sites mais bonitos da rede enológica.
Jerez de La Frontera é considerada a cidade mais antiga do mundo ocidental. Com uma história de mais de 3000 anos, foi fundada pelos fenÃcios, exÃmios navegadores e grandes comerciantes, que por encontrar grande quantidade de uva nativa, deram à cidade o nome de Xera (”uva”). Não é difÃcil compreender como as inúmeras corruptelas que se seguiram (Ceret, em Latim, Å eriÅ¡, também “uva”, em árabe antigo, Sherish e outras pequenas variações) vieram a culminar em Jerez ou Xerez na Espanha, Xérès, na França e Sherry, na Inglaterra.
Localizada no extremo sudoeste espanhol, a região de Jerez se destaca especialmente por seu solo - o “segredo de Jerez” segundo Pancho Campo, um dos expoentes do vinho na Espanha. As áreas consideradas de melhor qualidade, denominadas em conjunto Jerez Superior , são justamente as com solo rico em Albariza , ou carbonato de cálcio, um dos inúmeros compostos calcáreos, inseridas num triângulo imaginário entre as cidades de Jerez de La Frontera, Sanlúcar de Barrameda e Puerto de Santa Maria.
Os vinhedos secundários se localizam em bolsões de cultivo ao redor do triângulo, componentes da área chamada de Jerez Zona , com solo predominantemente composto de areias e argilas, conhecidos como “Arenas y Barros” em espanhol.
Capaz de refletir os raios solares e armazenar bem água para alimentar as videiras durante a sequÃa , a Albariza origina mais de 80% das uvas utilizadas na produção de Jerez e é o solo ideal para a uva sÃmbolo da denominação: Palomino Fino. É com ela que se produz o grande vinho da região, o Fino (ou Manzanilla, em Sanlúcar), paradoxalmente também o mais barato (!).
Além da Palomino são utilizadas, para alguns estilos de Jerez, as variedades Pedro Ximenez e a mundialmente difundida Moscatel e o principal problema do grande público é compreender o que é o quê na produção dos vinhos, já que os cerca de 10 estilos diferentes fazem uma bela salada de uvas, processos e termos.
No próximo post vou descrever a produção de Jerez e os principais estilos e tentar deixar claro o “quem é quem” de la frontera.
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