A maioria dos artigos aqui presentes está baseada em informações obtidas em artigos de revistas, sites e livros citados nos próprios artigos. Entretanto, ao discorrer sobre os textos mencionados, utilizo referências e informações obtidas ao longo dos meus estudos, muitas vezes não explicitados nos textos. Seguem as referências, atualizadas de acordo com a necessidade.
JOHNSON, Hugh. A História do Vinho. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
ROBINSON, Jancis, MW (Org.). The Oxford Companion to Wine. Nova York: Oxford University Press, 2006.
BORGES, Euclides Penedo. ABC Ilustrado da Vinha e do Vinho. Rio de Janeiro: MAUAD Editora, 2004.
JOHNSON, Hugh, ROBINSON, Jancis, MW. World Atlas of Wine. Londres: Mitchel Beazley, 2007.
KRAMER, Matt. Making Sense of Wine. Nova York: Running Press, 2005.
BIRD, David, MW. Understanding Wine Technology - The Science of Wine Explained. San Francisco: The Wine Appreciation Guild, 2007.
BALDY, Marian. The University Wine Course. San Francisco: The Wine Appreciation Guild, 2006.
GOODE, Jamie. The Science of Wine. Los Angeles: University of California Press, 2005.
SKELTON, Stephen, MW. Viticulture - An introduction to commercial grape growing for wine production. London: Lulu.com, 2007.
JOLY, Nicolas. Le vin, la vigne et la biodynamie. Paris: Ellébore - Sang de la Terre, 2007.
COATES, Clive, MW. The Wines of Burgundy. Berkeley: University of California Press, 2008.
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A meu pedido, já há alguns meses, uma querida jornalista de eno-gastronomia foi gentil em dar uma lida no blog e enviar-me suas opiniões. Ela foi enfática em ressaltar: “Acho que você poderia se identificar um pouco mais. Acho que ajuda a criar a confiança no leitor sobre quem é este cara que está escrevendo sobre vinhos.”
Demorou, mas decidi escrever (talvez um pouco demais) contando como foi que vim parar aqui. Pra quem quer ganhar confiança, ou não tem medo de perder a que talvez já tenha, coragem, lá vamos nós:
Tive a boa estrela de estudar meu segundo grau numa escola um tanto diferente, mas que, como toda escola, oferecia aos estudantes oportunidades pelo menos anuais de apresentar seus trabalhos e demais criatividades para os pais e colegas.Nessa época, como bom adolescente, eu gastava boa parte do meu tempo útil imaginando coisas para fazer da vida ao invés de prestar atenção às aulas de Latim - e acredite, em 4 anos há muito tempo para imaginar, enquanto o professor recita as Catilinárias.
Â
Marcus Porcius Cato (acima), autor das Catilinárias:
Dum praedicaba Nazareno, cogitatione Beda iter faceba.
Um dos muitos esboços que fiz, junto a tabuleiros de lig-4, batalha naval e jogos de palavras absurdos, foi uma espécie de taverna, inspirada por algum lema latino do porte de “In Vino Veritas”, com balcão e bebidas e ares de antro de rufiões e soldados que, após alguns dias de maquinações mentais e a colaboração de outras mentes férteis, veio a tornar-se o Ad Poculum Vini (Ao Copo de Vinho), provavelmente o primeiro restaurante estudantil da escola, durante a famigerada feira de cultura.
Com um pouco de pesquisa e excesso de imaginação, criamos um barzinho escuro e super-aquecido pelo teto baixo de tecido utilizado para compor uma ambientação. Movido a tortas, pães, chás exóticos, música de época, figurinos estrambólicos e qualquer coisa que tenhamos podido empurrar como “medieval”, o restaurante desencadeou um processo do qual muitos saÃram ilesos, mas eu não.
Mais ou menos na mesma época, comecei a trabalhar como garçon em uma padaria/bistrot que é referência há muito em Belo Horizonte, onde passei a tomar contato com as bases da cozinha internacional: ingredientes, métodos de cocção, receitas tradicionais. A influência que tiveram esse lugar e as pessoas que eu conheci aà nas minhas escolhas futuras poderia ser descrita como criminosa por meu pai, que alimentava não muito secretamente uma esperança de que eu viesse a me formar em Direito ou algo que o valesse.
A primeira Casa
Era recorrente que as noitadas entre os amigos se transformassem em pequenas orgias alimentares e eu passei a integrar o time dos que iam para o fogão, sem maiores motivos além do de que tÃnhamos talvez mais paciência e um risco menor de arruinar a comida que os outros. Enquanto isso, na Sala da Justiça (Gastronômica), eu aproveitava qualquer oportunidade de trabalho pra sacar um dinheirinho enquanto aprendia aqui e ali a fazer alguma coisa da vida, participando de feiras de gastronomia e eventos com a padaria.
A coisa tomou rumo mais definido quando a gerente da casa decidiu montar seu próprio restaurante - o infelizmente falecido Santonim - e me deixar temporariamente no lugar dela. As conseqüências foram desastrosas: o temporariamente se alongaria por cerca de dois anos, durante os quais eu passei a freqüentar degustações de vinho, conhecer fornecedores, participar ativamente do dia-a-dia do restaurante e organizar uma equipe que unia o que se havia peneirado do grupo que eu integrava com gente selecionada e treinada pelo meu próprio punho, me levando a duas idéias que me condeneriam até hoje.
Este post conta um pouco (demais) da minha história. Se quiser passar a algo um pouco menos maçante, clique aqui.
Como ia dizendo, gastei algumas dúzias de horas da minha vida caminhando quilômetros em um salão de 30 metros quadrados. Nesta época, ainda na escola secundária, alimentamos por algum tempo a idéia besta de ter um bar na casa de alguém, de forma a poder reunir-nos sem gastar uma fortuna, escolher boa música e beber coisas boas.
Não sei bem quando, as mesmas maquininhas que construÃram o Ad Poculum Vini deram para elaborar um bar móvel, que tivesse como servir minimamente bem, sem as obrigações de todo tipo criadas pelas raÃzes (inclusive freqüência). Foi no Santonim, após um dos turnos de trabalho na padaria, que expus pela primeira vez essa idéia.
Enquanto isso, me tornei aos poucos o responsável pela carta do restaurante, passando a experimentar vinhos semanalmente e selecioná-los. Comecei a comprar revistas e logo livros, em busca de justificar minhas escolhas com um mÃnimo de referências e foi justamente aÃ, em especial através de uma cliente que era também fornecedora, que o vinho passou a me perseguir. Comecei a organizar o serviço das degustações (os mÃticos “Flights de Vinho” da Dulce) e a experimentar cada vez mais vinhos de variados tipos e nÃveis de qualidade.
Por volta de um ano depois daquela noite no Santonim, uma das minhas companheiras de trabalho, que é atriz mas sempre esteve enfiada na cozinha, me perguntou se eu não tinha uma idéia pra um negócio em que ela pudesse investir o dinheiro que tinha guardado. Essa conversa somou-se à do restaurante e durante cerca de 2 anos fomos três escravos do trabalho, praticamente planejando e implementando um novo restaurante a cada mês. Foram, no total, 10 diferentes restaurantes criados em vários ambientes pela cidade, muitas vezes “reformados” com nossas próprias mãos (e as de alguns queridos amigos).
Mais ou menos por aÃ, inaugurou-se a primeira turma do curso de Gastronomia em Belo Horizonte. Juntei minhas fichinhas morais e informei a meu pai que era isso aà mesmo que eu iria estudar e fui lá fazer a inscrição. O curso provocaria um verdadeiro malabarismo de horários, divididos entre o trabalho na padaria, meus estudos pessoais de
Logosofia, um namoro intenso e o projeto meio louco do Itinerante.
Este blog começou como um lugar para anotar os textos em andamento que prometi mandar com regularidade para o site do eno-jornalista mineiro Gerson Lopes. Degringolou para um experimento de redação sobre vinho e comida mas agora parece que ando escrevendo só pra mim, já que comecei a me aprofundar nos temas do meu curso deste ano.
Esta é a última (já vem tarde) parte da explicação de como cheguei aqui. Aqui você pode ver uma versão cômica do Batman em espanhol, pra rir um pouco também.
Como dizia, em meio ao turbilhão de coisas que arranjei para fazer, essa história de provar
vinho e escolher
vinho e montar uma carta aqui outra ali, percebi que despendia um tempo (e um dinheiro) em me preparar para o assunto que estava começando a se tornar “inconveniente” para as outras coisas.
Decidi que ou me envolvia de fato com o negócio ou parava de vez e, claro, parar de vez não me pareceu a melhor escolha. Aproveitei uma vaguinha que me parecia promissora numa distribuidora, já que eram vinhos com os quais eu tinha bom contato e não havia um exército de outros iguais a mim com quem poderiam me confundir lá.
Entre minhas tarefas estavam as habituais visitas comerciais a restaurantes para fazer vendas, controle de consignações e um socialzinho meio sonolento, mas a parte bacana estava lá, me esperando: comecei a montar organizadamente fichas técnicas “humanizadas”, com um conteúdo que interessa a quem simplesmente gosta de vinho e ao pessoal dos restaurantes, ou seja, nada de dosagens quÃmicas e o mÃnimo possÃvel de enologiquês, que interessa só a quem se interessa de fato.
Com ânsia de uma preparação mais “formal”, escrevi ao estrangeiro perguntando e descobri que talvez a melhor forma fosse me formar aos poucos pelo WSET, um sistema inglês de qualificação em vinhos que pode levar (dizem) ao tÃtulo de Master of Wine. Além disso, assumi o comando de algumas degustações e tive de realizar um estudo para e a criação de fato de um wine bar, que me fez perder um bocado de cabelos e de quilos, mas, ora bolas!, era o que fazia meus dias divertidos.
Uma das visitas mais sociais a um restaurante.
Dois garçons ao fundo me observam apresentando nosso catálogo ao proprietário e ao sommelier.
Uma pasta com as fichas e uma recepção a estrangeiros com tradução instantânea de degustação acabaram despertando a atenção do nosso importador em São Paulo e minha chefe em Belo Horizonte certamente fez sua parte para ajudá-lo a se convencer de como eu poderia ser-lhe útil. Depois de alguns meses de conversas e rodeios, vim a São Paulo e fiquei por aqui, comendo, bebendo e perambulando por aÅ
Espero não ter desapontado ninguém (se é que alguém chegou até aqui). Bom proveito e bons vinhos!
Agora acabou!
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Desde que encontrei numa pilha no escritório em que trabalhava em Belo Horizonte uma velha cópia re-encadernada do livro “Making Sense of Wine”, de Matt Kramer, ele tornou-se basicamente o meu livro-referência de vinho.
Citei-o algumas vezes nos meus textos e está em andamento uma seqüência totalmente baseada nos artigos de Kramer sobre
o armazenamento do vinho. A desenvoltura com que ele fala dos assuntos mais cabeludos, mais debatidos e mais controversos me prendeu ao livro e me fez sentir livre de algumas amarras que o primeiro impacto do mundo do
vinho freqüentemente impõem.Fiquei bastante feliz quando adquiri uma cópia re-editada e atualizada há pouco tempo via Amazon.com - a minha mais forte aliada na luta contra a sobrecarga de preços dos livros importados nas livrarias nacionais - mas me deixou ainda mais feliz ver que o mercado editorial brasileiro está investindo em livros de alta qualidade técnica para um dos públicos (embora restrito) mais exigentes do mundo no quesito conhecimento enológico: dois dos mais importantes autores de
vinho acabam de entrar para o rol dos que poderão ser encontrados nas nossas prateleiras e o que é melhor - e indispensável para muitos - em bom português:
O primeiro deles, é claro, é Kramer. Com o nome de “Os Sentidos do Vinho“, a editora Conrad traz para nós um “manual de libertação das amarras”, um verdadeiro derrubador de mitos. O livro está sendo vendido nas livrarias por acessÃveis R$43,00 - embora eu deva fazer notar que o original em inglês, comprado novo pelo site americano, com o frete e o atual câmbio, saia por menos de R$40,00.
O segundo livro, na verdade, tem seu lançamento previsto para Setembro de 2008 no Brasil, mas já
deve ser comemorado como conquista brazuca: a editora Nova Fronteira comprou os direitos de publicação do indispensável Atlas Mundial do Vinho, de Hugh Johnson e Jancis Robinson. Completamente revisto e ampliado, dando mais destaque à s regiões produtoras em ascenção (entenda-se em particular Argentina, Chile, e China, entre outras), o Atlas chega à sexta edição trazendo a feliz notÃcia para os eno-cartófilos nacionais.
Restam, porém, um e outro livro fundamental que eu gostaria muito de ver na prateleira. Seguem as minhas sugestões:
- A História do Vinho, de Hugh Johnson - foi publicado pela Companhia das Letras, esgotou e não houve re-edição recente… Porque será?
- Adventures on the Wine Route, de Kermit Lynch - considerado leitura obrigatória no meio, é uma espécie de “On the Road” enológico que conta as viagens do primeiro importador de vinhos moderno norte-americano pela França.
- Questions of Taste - Philosophy of Wine, de vários autores - recém-lançado lá fora. Estou aguardando minha cópia, então ainda não posso dizer muito. Porém, o livro trata justamente de algumas das questões mais polêmicas (gosto, notas, preços) e alguns dos aspectos mais intimidantes do vinho (a descrição das caracterÃsticas, os aromas, a percepção da bebida).
- O Gosto do Vinho, de Émile Peynaud - O professor Peynaud talvez seja o maior contribuinte contemporâneo para o desenvolvimento das técnicas de produção de vinho. Seu livro de prova, muito técnico, existiu em português em edição lusa, hoje também esgotada.
- Teoria e Prática da Degustação dos Vinhos, de Giancarlo Bossi - renomado degustador e autor italiano, chegou a ter seu livro traduzido e publicado no Brasil na década passada. Nadica de nada nas lojas hoje.
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