Peripécias Palacescas |

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Um País de Países

Friday Mar 7, 2008

A Espanha é freqüentemente exaltada como o país do presente e do futuro do vinho. Com a maior área sob vinhedos do mundo e a terceira maior produção, usufrui mais que qualquer outro país das reviravoltas tecnológicas e culturais do vinho nas duas ou três últimas décadas: um salto de qualidade imenso, muito investimento de enólogos e produtores extremamente empreendedores e a boa estrela de ter encantado os principais especialistas do mercado internacional com seus grandes vinhos colocaram o país na “ponta-cortante” da viti-vinicultura mundial.

Por outro lado a Espanha é conhecida também pela dificuldade de emplacar com o grande público. Seus vinhos atraentes, ricamente aromáticos e raramente desinteressantes encontram-se em todos os estilos, desde os refrescantes brancos de Albariño, passando por Jovenes frutados até Gran Reservas austeros à moda antiga, mas os preços não costumam ser estimulantes e, acima de tudo, há pouco ou nenhum movimento de divulgação por parte das autoridades espanholas.

Há quem diga que a grande diversidade e a maior ainda disparidade culturais - os catalães não conversam com os manchegos, que não falam com os bascos, que nem se consideram espanhóis e por aí vai - sejam as principais responsáveis pela falta de tato em fazer chegar estes vinhos ao grande público, deixando nas mãos de alguns produtores com pendão marketeiro quase qualquer difusão da cultura do vinho espânico (vide Osborne, Tio Pepe - que não está nas mãos de espanhóis - e Codorniú).

ViniPortugal MarketingHarpers, a mega-central de notícias inglesa da indústria do vinho, acaba de anunciar uma discreta iniciativa em direção ao que pode se tornar um pioneirismo de relevância para a enologia do país, embora por enquanto somente para o mercado londrino: a criação e difusão de uma campanha padronizada elaborada pelo Consejo Regulador DOC Rioja, o órgão que conduz e regulariza a produção na região, com direito a logotipo modernoso e eventos em Londres para levar ao público o que eles vêm produzindo de melhor.

Similar à intensa - e bem sucedida - campanha que a ViniPortugal vem desenvolvendo em todo o mundo - com ênfase no Brasil e EUA -, a versão riojana contará com propagandas na mídia a partir do segundo semestre e já possui um site acessível e educativo (atualmente, só em inglês) que explica como se classificam oficialmente os vinhos na região, onde comprar, onde beber quando for comer, o melhor de tudo, sugestões de receitas regionais para combinar com alguns vinhos!

Enquanto isso, o órgão “oficial” do governo espanhol para o vinho, “Vinos de España“, mantido pelo Instituto Espanhol de Comércio Exterior, continua meio apagadinho…

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Tags: codorniu, espanha, harpers, marketing, osborne, rioja, tio pepe, Vinho

Banalização da Complexidade

Friday Jun 1, 2007
Revue du Vin de France, edição de abril. Coluna de Éric Riwer:

Le Figaro quer ‘acabar com a eno-complexidade’, a saber, o fenômeno pelo qual os franceses ficam complexados pela sua falta de conhecimento sobre o vinho. Segundo uma sondagem efetuada pelo Ipsos-Afvin, 60% dos franceses confessam não compreender nada sobre vinho.

Isto explica a constatação publicada por Les Échos em um artigo entitulado ‘O mundo do vinho faz sua pedagogia’. Gérard Bertrand explica: ‘É necessário propor códigos de leitura diferentes […] para tornar o mundo do vinho mais acessível’. Ele mesmo comercializa vinhos com nomes como ‘Viognier Voltigeur’ e ‘Syrah Canaille’.

Boa idéia ou furada? Eu sou a favor da inovação, mas permaneço surdo aos chamados imbecilizantes das sereias do marketing da tendência fun.

Paralelamente à redação desta coluna, tenho responsabilidades em uma escola de arte. Lá eu me asseguro de que todos os dias a demanda pedagógica exija uma mistura fina de rigor e de estrutura, enriquecidos com fantasia e criatividade. É um trabalho no fio da navalha, que demanda equilíbrio e exigência, mas em que a vertigem não está nunca muito longe. Querer reduzir o aprendizado de uma arte ou de um mundo complexo a noções simples que tocam a superficialidade me parece roubar no xadrez.

Não se deve banalizar um mundo rico, pleno de sentidos e de sensações. Ele deve permanecer um prazer. Como diz a jornalista Jacqueline Friedrich, ‘o mundo do vinho é talmente interessante que, quanto mais se aprende, mais tem-se vontade de aprender. O vinho abre todos os tipos de janelas’.”

Por coincidência - ou talvez não - três cartas da seção de correspondência da mesma edição respondiam a algum leitor que na revista anterior tinha se manifestado a favor de simplificar as etiquetas. Uma delas:”Eu gostaria de reagir à carta de Fulanô, que julga os vinhos franceses muito complicados. Reduzir o número de informações nas etiquetas é rebaixar a distribuição do vinho à de um produto de supermercado, sem se preocupar com o que o consumidor quer ou procura. Diga aos amadores que pensam que as etiquetas são muito complicadas que eles podem bater na porta de uma adega: eles terão as respostas às suas questões e encontrarão também um serviço real.”

Vou esperar pra ver se alguém vai comentar. Tem alguém aí??

Tags: adega, blog, blogger, marketing, serviço, Vinho

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