Peripécias Palacescas |

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Leram nossos pensamentos, ragazzi

Friday Dec 12, 2008

Pra quem não viu ainda, tem um breve debate sobre as pontuações na diVino desse mês. Alexandra Corvo queima pestanas achando absurdo pontuar e me identifico muito com os argumentos dela, embora não com as conclusões.

Fiquei triste com quão pouco extenso o espaço dedicado ao debate e nenhum comentário sobre os critérios utilizados pelos degustadores para avaliar os vinhos que eles provaram durante a conversa… Continuo com um rascunho aqui sobre superficialidade sendo escrito há um ano - e tentando não deixar um rabo pra sentar em cima ao falar dos outros.

Tags: Alexandra Corvo, Debate, diVino, Parker, pontuação, revista diVino, Robert Parker

O que o Bob diz

Thursday Dec 11, 2008

Preparando material de divulgação, tenho aqui em mãos o mais recente “Parker’s Wine Buyer’s Guide”, sobre o qual ainda pretendo fazer um post. Para não deixar a peteca cair no debate sobre as pontuações, traduzi a opinião do Parker sobre as pontuações e o descritivo de como ele pontua. Acho válido e importante considerar o que ele diz.

Notem:
a importância que é dada aos vinhos de 85 a 89 pontos;
quantas vezes ele repete que as notas refletem a opinião dele;
o quanto é importante o fato de que há técnica e método envolvidos;
o conteúdo indispensavelmente importante do último parágrafo.

Os parênteses-com-pontinhos são meus, assim como as partes negritadas, em itálico e sublinhadas do texto.

“Quando possível, a maioria das minhas degustações são feitas em grupos similares, em condições de degustação às cegas simples; em outras palavras, os mesmos tipos de vinhos são comparados uns com os outros e os nomes dos produtores não são conhecidos. As notas refletem uma visão independente, crítica, dos vinhos. Nem preço nem a reputação do produtor afetam as notas de nenhuma maneira. Gasto três meses de todos os anos em degustações nos vinhedos. Durante os outros nove meses do ano, devoto seis - e às vezes sete - dias da semana a degustações e a escrever. Não participo em competições de vinhos ou degustações para o público por várias razões, mas principalmente pelas seguintes: 1. prefiro provar de uma garrafa inteira; 2. Acho essencial ter copos profissionais para degustação de tamanho e limpeza adequados; 3. As temperaturas dos vinhos devem ser corretas; 4. Prefiro determinar a alocação de tempo para o número de vinhos que irei avaliar.

As notas numéricas são um guia sobre o que penso do vinho cara-a-cara com seus pares: vinhos classificados abaixo de 85 pontos são bons a excelentes e qualquer vinho avaliado em 90 ou mais pontos será excepcional para seu tipo em particular. Enquanto alguns irão sugerir que pontuar não é muito adequado a uma bebida que vem sendo romanticamente louvada por séculos, vinho não é diferente de nenhum outro produto de consumo. Há padrões específicos de qualidade que profissionais dedicados do vinho reconhecem e há vinhos-referência contra os quais os outros podem ser julgados. Não sei de ninguém com 3 ou 4 taças de diferentes vinhos à sua frente, independente de quanto bons ou ruins os vinhos possam ser, que não possa dizer “Eu prefiro este a aquele”. Dar pontos a vinhos é simplesmente pegar a opinião de um profissional e aplicar um sistema numérico a ela de forma consistente. Ainda mais: pontuar permite rápida comunicação da informação a pessoas experientes e novatas da mesma maneira.

A pontuação dada a um vinho específico reflete a qualidade daquele vinho em seu melhor. Frequentemente digo às pessoas que avaliar um vinho e dar uma nota a uma bebida que irá mudar e evoluir por até uma década ou mais é análogo a tirar uma fotografia de um corredor de maratona. Muito pode ser afirmado, mas, como um objeto que se move, o vinho irá evoluir e mudar. Tento re-degustar vinhos obviamente muito afetados pela rolha ou de garrafas defeituosas, já que o vinho de uma única garrafa não indica um lote inteiro danificado. Se re-degustar não é possível, guardo meu julgamento. Muitos dos vinhos descritos foram provados muitas vezes e sua nota representa uma média cumulativa da performance em degustações até hoje.

Aqui, portanto, está um guia geral para interpretar minha escala numérica:

90-100: Equivalente a um A e dado para um esforço excepcional ou especial. Vinhos nesta categoria são os melhores produzidos para seu tipo. Embora haja uma grande diferença entre um 90 e um 99, os dois são “notas altas”. Poucos vinhos na verdade entram nesta categoria, simplesmente porque não há muitos vinhos realmente profundos.
80-89: Equivalente a um B, e tais vinhos, em particular entre na faixa dos 85 a 89 pontos, são muito bons. Muitos dos vinhos que caem nesta categoria são freqüentemente de excelente valor, também. Tenho muitos destes vinhos na minha adega pessoal.
70-79: Representam o C, ou uma nota média, mas obviamente 79 é uma nota muito mais desejável que 70. Vinhos que recebem notas de 70 a 79 são geralmente vinhos simples e agradáveis, a quem falta complexidade, caráter ou profundidade. Se baratos, podem ser ideais para se beber descompromissadamente.

Abaixo de 70: Uma nota D ou F, dependendo de onde você estudou, é um sinal de vinho desbalanceado, defeituoso ou terrivelmente insípido ou diluído que é de pouco interesse para o consumidor.

(…) Pontuações são importantes para que o leitor possa medir a colocação geral qualitativa de um vinho entre seus pares por um crítico profissional. No entanto, é também vital considerar a descrição do estilo do vinho, a personalidade, o potencial. Nenhum sistema de pontuação é perfeito, mas um sistema que permita flexibilidade nas notas, se aplicado pelo mesmo degustador experiente sem preconceitos, pode quantificar níveis de qualidade de vinho e pode ser uma referência responsável, confiável, não-censurada e altamente informativa que oferecer ao leitor o julgamento de um profissional. Contudo, não pode nunca haver susbtitutos para seu próprio gosto nem nenhuma instrução melhor que provar o vinho você mesmo.”

Tags: Debate, Parker, Parker's Wine Buyer's Guide, pontuação, Robert Parker

Pra completar - ainda sobre notas

Thursday Nov 27, 2008

Opa, opa! Gostei do movimento gerado pelo último post. Para adicionar conteúdo ao debate, um trecho de entrevista da Veja com a especialista Jancis Robinson, em que ela fala justamente sobre a diferença de opiniões entre os avaliadores (os negritos e itálicos são resultado da minha intromissão):

Veja – Há quatro anos, a senhora deu uma nota baixíssima a um vinho bem avaliado por outro crítico respeitado  — e controverso — , o americano Robert Parker. Afinal, chegou-se à conclusão de quem estava certo?
Jancis A verdade é que não existe certo e errado na apreciação de um vinho. Todos têm preferências individuais e sensibilidades diferentes. Portanto, uma discordância não surpreende, principalmente quando se trata de um Chatêau Pavie 2003, que levou ao extremo sua maturidade e o nível de tanino. Recentemente, voltei a prová-lo e mantive minha opinião. Tenho certeza de que Parker manteve a dele.

Veja - O que significa o fato de dois juízes respeitados terem opiniões opostas sobre o mesmo vinho?
Jancis – Que a análise de vinho é pessoal. Por isso, acho que reduzir um vinho a uma nota é tolo, ilusório. Vou dar um exemplo. Um júri profissional como o Grand Jury European que, como se sabe  no meio, é mais favorável a vinhos modernos, divulgou um ranking onde o Château Pavie 2003 estava mal colocado. O mesmo vinho, ao ser avaliado por um grupo de profissionais ingleses, ficou numa posição intermediária.”

Beda (fora da entrevista, porém) - É interessante notar que a tendência atual em avaliações sérias (ao menos na opinião de gente que eu respeito) é a de fazer painéis de degustadores que se alternam na degustação dos vinhos e que, ao final, debatem em grupo os resultados das avaliações, antes de concluir as notas e anotações, questionando e sendo questionados sobre suas opiniões e sensações, diminuindo as margens de erro por falsas impressões, mal-entendidos e grandes contrastes de experiências e compreensões. Nada como a velha e boa troca de idéias, não?

Tags: Debate, Degustação, Jancis, Jancis Robinson, opinião, Robert Parker, Veja

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