Pessoal,
estou saindo de viagens por um tempo, o que vai reduzir ainda mais o ritmo do blog.
Em compensação, serão 20 dias exclusivamente enológicos, o que irá me encher de material para publicar em seguida.
Abraços para todos,
Bernardo
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O segundo aspecto analisado por Matt Kramer em seu livro “Making Sense of Wine” - que, vocês já sabem, foi lançado no Brasil há pouco - é o movimento. Todo mundo já leu, ouviu, viu, que a adega ou o lugar onde o vinho vai ficar guardado tem de ser também “tranqüilo”. As vibrações, segundo os especialistas, são maléficas para o vinho e aceleram seu envelhecimento.Kramer começa contando a história de um comerciante de vinhos de Bordeaux, Edouard Kressmann. O pai de Kressmann pensou ter descoberto um paralelo entre a amplitude da onda da vibração e o quanto a mesma é capaz de acelerar o envelhecimento do vinho e “inventou” um método que ele chamou de “envelhecimento por concussão”. O tal método consistia em fazer seu filho Edouard espancar repetidamente uma espécie de cone de bronze preenchido com vinho, com o único resultado, é claro, de exaurir o rapaz e talvez gerar-lhe umas dores musculares.
Outra história contada no livro fala do moleiro que, não tendo
vinho no ponto de amadurecimento para o casamento da filha, teve a seguinte (e fabulosa) idéia: amarrar seus barris nas pás do moinho para que este, girando, acelerasse o desenvolvimento da bebida. Sem dúvida o que ele conseguiria de mais relevante seria cozinhar seu
vinho no
calor…
De acordo com os experimentos do Dr. Singleton, da universidade de Davis, na Califórnia, as vibrações comuns em nosso dia-a-dia são insuficientes para gerar qualquer tipo de defeito em um vinho. Para que a vibração torne-se algo danoso, é necessário que esta seja intensa e constante, de modo a afinar continuamente uma eventual borra, tornando-a tão fina que seja incapaz de assentar-se, o que mantém o vinho constantemente turvo e influencia seus sabores.
Portanto, a vibração gerada por carros na rua, passos no assoalho e aparelhos de ar-condicionado, fica descartada como fator de agressão ao vinho.
Por outro lado, diz o doutor, movimentar as garrafas pode ser altamente arriscado: transportar o vinho de um lugar a outro quer dizer, quase sempre, expô-lo a condições altamente prejudiciais à sua qualidade.
Apesar de movimentos bruscos também serem potenciais “contaminadores” do vinho fazendo levantar as borras o que, especialmente em vinhos mais velhos e delicados, pode ser um problema difícil de resolver, as condições a que se refere o Dr. Singleton são outras: normalmente, quando em viagem, as garrafas são expostas a temperaturas elevadas, essas sim efetivamente inimigas da vida do vinho.
O próximo trecho trata justamente de como o vinho se comporta sob influência de diferentes temperaturas.
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Vimos rapidamente alguns dos fatores que determinam os
custos de produção do
vinho, mas antes que o precioso líquido chegue às mãos dos consumidores, há ainda uma série de etapas a serem vencidas.
Antes de tudo,
embalagem:
- Beleza não põe mesa, mas as garrafas mais bonitas com rótulos charmosos e elegantes sem dúvida são convidativas e atraentes. Mas têm um custo.
Embora muitas pessoas digam não ligar para embalagem, há fatores objetivos relacionados à ela:
- Garrafas mais pesadas, de vidro grosso e resistente, dos vinhos de mais alta qualidade, não são simplesmente objetos fetichistas para exibir poder e status: garantem uma proteção eficiente a um vinho que tem potencialmente muitos anos de vida - e um custo elevado demais para se arriscar a quebrar por qualquer coisa.
- As meias-garrafas, tão úteis para muitos, mas incompreendidas por quase todos, normalmente custam 70% - e não 50% - do valor total de uma garrafa. Os custos de insumos secos, como garrafa, rolha, rótulo, são os mesmos dos para garrafas de 750 ml. Os de mão-de-obra, transporte, taxas alfandegárias, também. Pior: muitas vezes, taxas são acrescidas em função do valor reduzido do produto líquido…
Em seguida, o frete. Muitos dos vinhos que consumimos fazem uma “discreta” viagem até o nosso país. Europa, Austrália, África do Sul…
- O Chile, que muitos pensam ser vizinho, está na verdade a uma distância de entrega considerável: os vinhos navegam pelo Pacífico até fazerem a volta pelo sul, chegando até nós pelo Atlântico.
- Trazer vinhos dos Estados Unidos custa mais caro que trazê-los da Europa!
- A Argentina poderia ser o que se salva, pois está muito próxima geograficamente e recebe um descontinho nos preços por conta do Mercosul, o que nos leva a tratar dos impostos:
que talvez sejam o ponto de maior impacto para o mercado.
Muitos apreciadores, quando têm a possibilidade de fazer uma viagem a um país produtor, se dão conta da IMENSA diferença de preços de lá para cá. Muitas vezes um vinho pode ser comprado com diferenças de até 300%!!!
O que a maioria não sabe é que, antes de pagar ao produtor, um importador no Brasil tem de pagar - além do frete - ao governo.
Fato é que, assim que o vinho entra no porto, o importador tem que pagar à vista, em dinheiro, transferência imediata, pegou-pagou, o equivalente a 115% do valor daquele carregamento!
E, com “valor do carregamento”, quero dizer TODO o custo que esteja declarado, somando-se o frete e quaisquer taxas que tenham sido embutidas na nota (vocês não acham que o governo do país de origem ia perder uma boquinha dessas também, não é?).
Não se esqueçam de considerar as diferenças tributárias internas (Minas Gerais e sua famosa “Substituição Tributária”) e das distâncias e condições de frete ao reclamar também das diferenças de preço entre os estados!
Comecem a fazer uns cálculos simples e verão que, até que o vinho possa chegar às mãos do consumidor, não há muitas formas de conter os preços com relação ao valor original. Por outro lado, sabendo de que forma se constrói o preço, não somente valorizamos a garrafa que estamos adquirindo como podemos procurar nos proteger de eventuais abusos que o mercado impõe.
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