{"id":1026,"date":"2010-03-28T12:49:10","date_gmt":"2010-03-28T15:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/bsmp.com.br\/?p=1026"},"modified":"2010-09-06T17:05:43","modified_gmt":"2010-09-06T17:05:43","slug":"o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2010\/03\/28\/o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu\/","title":{"rendered":"O \u00edncrivel Pinot Noir alem\u00e3o que encolheu&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&#8230; na minha ta\u00e7a. Acreditem, \u00e9 verdade. A cada vez que eu olhava a ta\u00e7a, havia menos vinho. S\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em meio ao vai-e-vem das visitas a produtores pela Alemanha, conseguimos incluir no roteiro a (praticamente desconhecida no exterior) regi\u00e3o de Ahr, no extremo norte, para que pud\u00e9ssemos provar os vinhos de Pinot Noir que s\u00e3o produzidos em uma das \u00e1reas vin\u00edcolas mais setentrionais <em>do mundo<\/em>. Com a ajuda de <a href=\"http:\/\/www.top-wines.de\/\" target=\"_blank\">Janke Zeltwanger<\/a>, agendamos uma visita a um dos produtores de maior sucesso na regi\u00e3o, que nos receberia para apresentar esse que \u00e9 um verdadeiro paradoxo da viti-vinicultura.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1030\" aria-describedby=\"caption-attachment-1030\" style=\"width: 362px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.germanwines.de\/\" target=\"_blank\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1030\" data-permalink=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2010\/03\/28\/o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu\/anbaugebietskarte\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anbaugebietskarte.jpg?fit=1024%2C1412&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,1412\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;dwi&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Karte der deutschen Anbaugebiete&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;www.deutscheweine.de&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Karte der deutschen Anbaugebiete - Wine growing Regions&quot;}\" data-image-title=\"Anbaugebietskarte\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Mapa: Adaptado de Deutsches Weininstitut&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anbaugebietskarte.jpg?fit=217%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Anbaugebietskarte.jpg?fit=742%2C1024&amp;ssl=1\" class=\"size-full wp-image-1030 \" title=\"Anbaugebietskarte\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/Anbaugebietskarte-e12697799316823.jpg?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1030\" class=\"wp-caption-text\">Mapa: Adaptado de Deutsches Weininstitut<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com apenas 528 hectares de vinhedos (0,5% de toda a \u00e1rea nacional), o vale do rio Ahr (&#8220;Ahrtal&#8221; em <em>alemanen linguen<\/em>) est\u00e1 mais ao norte que as regi\u00f5es alem\u00e3s famosas pela delicadeza (e, \u00e0s vezes, falta de amadurecimento) de seus vinhos <span style=\"text-decoration: underline;\">brancos<\/span>. Al\u00e9m disto, como voc\u00eas podem ver no mapa,\u00a0est\u00e1 <em>consideravelmente<\/em> mais ao norte das \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o que ganharam reputa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds pela capacidade de amadurecer seus tintos e ainda assim tem 88% de seus vinhedos plantados com as variedades Sp\u00e4tburgunder, Fr\u00fchburgunder e Portugieser, todas elas tintas.<\/p>\n<p>A Alemanha \u00e9 hoje a terceira maior produtora <em>mundial<\/em> de Pinot Noir ou <em>Sp\u00e4tburgunder<\/em> (a &#8220;Borgonhesa Tardia&#8221;, tamb\u00e9m em alemanen), com 11.660 hectares de vinhedos plantados com a variedade principalmente nas regi\u00f5es mais ao sul do pa\u00eds: Baden (onde \u00e9 <strong>A<\/strong> variedade mais plantada), W\u00fcrttenberg (onde as tintas dominam 70% dos vinhedos) e Pfalz.\u00a0Isso quer dizer o equivalente \u00e0<em> metade <\/em>de toda a \u00e1rea plantada com Riesling, sem d\u00favida a rainha nos vinhedos alem\u00e3es e reflete uma tend\u00eancia crescente no pa\u00eds a voltar a se consumir vinho tinto nacional &#8211; desde a d\u00e9cada de 70, o \u00e1pice da produ\u00e7\u00e3o e venda dos infames brancos de garrafa azul, a \u00e1rea plantada com variedades tintas praticamente <em>triplicou.<\/em><\/p>\n<p>Sem a menor d\u00favida, as mudan\u00e7as no clima ocorridas nessas \u00faltimas d\u00e9cadas determinaram que os vinhedos do sul da Alemanha pudessem amadurecer uvas tintas de maneira adequada para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos de qualidade, assim como foram significativos os avan\u00e7os na compreens\u00e3o dos processos de cultivo e produ\u00e7\u00e3o. O vale do Ahr, no entanto, segue sendo uma exce\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as a um mesoclima peculiar.<\/p>\n<p>Seu hist\u00f3rico com variedades tintas, em particular a Sp\u00e4tburgunder, remonta ao s\u00e9culo XV mas foi somente nos \u00faltimos anos que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o solo fizeram com que uma das variedades de uva mais dif\u00edceis de se cultivar, mais temperamentais e, ao mesmo tempo, mais cultuadas pelos apreciadores de vinhos de alta qualidade se tornasse a estrela a\u00ed. O que nos fez duvidar da qualidade do vinho&#8230;<\/p>\n<p>Chegamos meio atrasados, vindos correndo do Nahe pelas estradinhas sinuosas ao longo do vale estreito, espremido em alguns pontos entre duas paredes montanhosas. A altitude n\u00e3o \u00e9 tanta: as montanhas mais altas chegam a apenas 300 m.s.n.m., mas as pendentes s\u00e3o inacredit\u00e1veis, atingindo 70\u00b0 em alguns pontos.\u00a0O solo \u00e9 vulc\u00e2nico, escuro e com uma caracter\u00edstica importante: nos melhores pontos, \u00e9 coberto de ard\u00f3sia, que em muitos lugares se parece em muito com o xisto do vale do Douro &#8211; laminada, quebradi\u00e7a ou j\u00e1 em pedacinhos. As montanhas protegem os melhores vinhedos dos ventos frios do norte e, em conjunto com o solo,\u00a0funcionam como uma esp\u00e9cie de forno, mantendo a temperatura consideravelmente mais alta do que o esperado numa \u00e1rea que est\u00e1 localizada a 50\u00b0N de latitude (cara, as poucas horas que passamos em Ahrtal devem ter sido as mais ensolaradas e aquecidas de quinze dias de Europa).<\/p>\n<figure id=\"attachment_1033\" aria-describedby=\"caption-attachment-1033\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1033\" data-permalink=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2010\/03\/28\/o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu\/ahr\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ahr.jpg?fit=4272%2C2848&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"4272,2848\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;11&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS DIGITAL REBEL XSi&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1269001338&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;18&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.004&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Ahr &#8211; vinhedos\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Parcelas fatiadas \u00e0 m\u00e3o por um gigante contratado por N\u00e4kel.&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ahr.jpg?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/ahr.jpg?fit=1024%2C682&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-1033\" title=\"Ahr - vinhedos\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/ahr-600x4003.jpg?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1033\" class=\"wp-caption-text\">Parcelas fatiadas \u00e0 m\u00e3o por um gigante contratado pelos produtores locais.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nosso cicerone pelos vinhedos do Ahr parece um personagem dos quadrinhos: bonach\u00e3o, risonho, de rosto redondo e bochechas rosadas, Werner N\u00e4kel nos leva para ver a \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e alguns vinhedos antes de provarmos os vinhos. Saindo de Dernau, onde est\u00e3o sua casa, seu\u00a0<em>ligeiramente <\/em>antigo winebar\u00a0(o &#8220;Hofgarten&#8221;, de propriedade da fam\u00edlia h\u00e1 mais de 200 anos) e sua <a href=\"http:\/\/meyer-naekel.de\/\" target=\"_blank\">adega<\/a> de vinifica\u00e7\u00e3o, subimos as encostas para encontrar paisagens estonteantes, como voc\u00eas podem ver nas fotos: os plat\u00f4s com vinhedos parecem erguidos da terra por uma for\u00e7a sobrenatural, recortados geometricamente em inclina\u00e7\u00f5es muitas imposs\u00edveis de se trabalhar sem estar amarrado a alguma coisa. Entre eles, est\u00e3o cerca de 12 hectares cultivados com mais de 80% de Pinot Noir por N\u00e4kel e suas duas filhas, ambas en\u00f3logas, que j\u00e1 s\u00e3o respons\u00e1veis por boa parte dos trabalhos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1034\" aria-describedby=\"caption-attachment-1034\" style=\"width: 307px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1034\" data-permalink=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2010\/03\/28\/o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu\/nakel\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/N%C3%A4kel.jpg?fit=2426%2C2848&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"2426,2848\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS DIGITAL REBEL XSi&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1268999354&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;42&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;400&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.1&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"N\u00e4kel\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Obelix Weber N\u00e4kel, nosso cicerone em Dernau, Ahrtal.&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/N%C3%A4kel.jpg?fit=255%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/N%C3%A4kel.jpg?fit=872%2C1024&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-1034 \" title=\"N\u00e4kel\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/Nakel-511x600.jpg?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1034\" class=\"wp-caption-text\"><del>Obelix<\/del> Werner N\u00e4kel, nosso cicerone em Dernau.<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e4kel tem mais dois outros projetos com vinho, fora da Alemanha (al\u00e9m de algumas consultorias pelo mundo): a <a href=\"http:\/\/www.quintadacarvalhosa.com\/\" target=\"_blank\">Quinta da Carvalhosa<\/a>, em que, n\u00e3o sem motivo, faz um bel\u00edssimo tinto no Douro, em Portugal, em companhia de mais dois amigos vinhateiros alem\u00e3es &#8211; Bernd Philippi, da Weingut Koehler-Ruprecht, em Pfalz, e o falecido Bernhard Breuer, membro-fundador da hist\u00f3rica associa\u00e7\u00e3o Charta, no Rheingau.<\/p>\n<p>Bom, vamos aos vinhos. N\u00e3o bastando a l\u00edngua do pa\u00eds ser <em>quasen impo\u00df\u00edvel de n\u00f3s entederr<\/em>, a legisla\u00e7\u00e3o e termos de rotulagem tamb\u00e9m s\u00e3o uma bagun\u00e7a sem fim. H\u00e1 termos legais, termos da associa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.vdp.de\/\" target=\"_blank\">VDP<\/a> (dos produtores de vinho de qualidade), nomes de vinhedos, um escreve de um jeito, o outro de outro, desse jeito haja <em>pa\u00dfi\u00eancia<\/em>. Hora dessas eu tento explicar um pouco. For\u00e7a:<\/p>\n<p><strong>Sp\u00e4tburgunder QbA 2008<\/strong><\/p>\n<p>Vinho &#8220;b\u00e1sico&#8221; da casa. Violeta p\u00e1lido, muito jovem, com nariz fresco, t\u00edpico da Pinot Noir, mostrando frutinhas de bosque, violetas e notas minerais. Na boca \u00e9 muito equilibrado, fresco e saboroso, com taninos delicados e maduros e a nuance vegetal t\u00edpica da variedade casada com fruta.<\/p>\n<p><strong>&#8220;G&#8221; Sp\u00e4tburgunder QbA 2008<\/strong><\/p>\n<p>O &#8220;g&#8221; \u00e9 de &#8220;usado&#8221;, \u00e9 claro. Voc\u00ea n\u00e3o sabia que se usado em alem\u00e3o come\u00e7a com g? Oras. O vinho \u00e9 mais intenso, muito elegante com mais aromas minerais e defumados &#8211; provavelmente resultado do est\u00e1gio em barricas (g)usadas. Fresco e mais volumoso, \u00e9 carnudo, muito apetitoso. Disputa seriamente com Pinots do resto do mundo e, pelo pre\u00e7o de mercado na Alemanha, disputa seriamente com Borgonhas mais baratos&#8230;<\/p>\n<p><strong>Blauschiefer QbA 2008<\/strong><\/p>\n<p>Proveniente de um vinhedo de solo composto com mais de 80% de ard\u00f3sia (nesse caso a azul=blauschiefer), \u00e9 profundo, complexo e muito mineral. Estruturado e volumoso, tem notas tostadas e persist\u00eancia longa.<\/p>\n<p><strong>&#8220;S&#8221; Sp\u00e4tburgunder QbA 2008<\/strong><\/p>\n<p>Agora voc\u00ea j\u00e1 sabe como funciona, n\u00e9? &#8220;S&#8221; \u00e9 de &#8220;novo&#8221; em alem\u00e3o. NOT. Esse \u00e9 o &#8220;Selektion&#8221;, feito com uvas escolhidas pela grande qualidade. Muito mais rico que os outros, com uma ampla gama de sutilezas (carne crua, carne defumada, violetas, framboesas, notas vegetais), bom volume em boca com taninos muito finos e grande intensidade de sabor. A acidez \u00e9 muito viva e o final longo.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1047\" aria-describedby=\"caption-attachment-1047\" style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1047\" data-permalink=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2010\/03\/28\/o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu\/ahr-pirambeira\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Ahr-Pirambeira.jpg?fit=2848%2C4272&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"2848,4272\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;10&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS DIGITAL REBEL XSi&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1269000821&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;18&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.004&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Ahr &#8211; Pirambeira\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;S\u00f3 trabalho nesse neg\u00f3cio se for amarrado. Literalmente.&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Ahr-Pirambeira.jpg?fit=200%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Ahr-Pirambeira.jpg?fit=682%2C1024&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-1047 \" title=\"Ahr - Pirambeira\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/Ahr-Pirambeira-400x600.jpg?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1047\" class=\"wp-caption-text\">S\u00f3 trabalho nesse neg\u00f3cio se for amarrado. Literalmente.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Dernauer Pfarrwingert Gro\u00dfess Gew\u00e4chs 2008<\/strong><\/p>\n<p>O &#8220;vinhedo do pastor&#8221; (pfarr) \u00e9 um dos muitos que levam nomes associados \u00e0 igreja em toda a Alemanha. Sem a menor d\u00favida, um vinho de grande destaque. Nariz muito intenso, bonito e instigante. Voltei \u00e0 ta\u00e7a de novo, de novo e de novo. Muito equilibrado, volumoso e fresco, com fruta fresca e taninos altos, ainda novos, muito muito longo e rico.<\/p>\n<p><strong>Walporzheimer Kr\u00e4uterberg Gro\u00dfess Gew\u00e4chs 2008<\/strong><\/p>\n<p>O mais rico, denso e volumoso, intenso e longo de todos. Especiado, com canela e toques apimentados, um leve perfume de caf\u00e9 torrado. Estruturado, muito equilibrado, mas com os taninos ainda um pouco pesados, foi engarrafado h\u00e1 pouco mais de 3 meses e, de acordo com N\u00e4kel, vai se &#8220;encaixar&#8221; melhor com mais outros 3 na garrafa.<\/p>\n<p><strong>Campo Ardosa Reserva RRR 2003 &#8211; Quinta da Carvalhosa &#8211; Douro, Portugal<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 que somos brasileiros (e um de n\u00f3s vive em Portugal), Werner foi simp\u00e1tico e ainda mais generoso ao abrir uma garrafa da sua adega pessoal: um RRR, o r\u00f3tulo especial da Quinta da Carvalhosa. O RRR \u00e9 produzido somente em anos especiais, com uvas selecionadas individualmente (isso a\u00ed: bago a bago). O vinho tem nariz potente, muito intenso, &#8220;doce&#8221; de calor. Passas, ameixa seca e fruta cozida fazem pensar no que ele \u00e9 de fato: um vinho de regi\u00e3o quente em um ano famoso pelo calor. No entanto, a grande surpresa foi a boca: nada de excessos, nem de \u00e1lcool, nem taninos, nem dul\u00e7or. Volumoso, com muitos taninos muito maduros e refinados, conservou uma acidez fresqu\u00edssima que n\u00e3o se esperaria do vinho. A mineralidade tamb\u00e9m \u00e9 rica e o final de fruta preta e chocolate \u00e9 delicioso. A produ\u00e7\u00e3o em 2003 foi de apenas 1500 garrafas, que agora provavelmente n\u00e3o existem mais&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dernauer Pfarrwingert Gro\u00dfess Gew\u00e4chs 2005<\/strong><\/p>\n<p>Gra\u00e7as a um probleminha de comunica\u00e7\u00e3o (o ingl\u00eas do Werner \u00e9 razoavelmente bom, mas os sotaques de ambos os lados dificultam as coisas) n\u00f3s fomos agraciados com ainda mais uma prova: um Pfarrwingert (que talvez tivesse sido o melhor do dia) j\u00e1 com uns quatro aninhos de garrafa. Amaciado e enriquecido pelo tempo, muito perfumado e de taninos muito finos, se mostrou elegante, perfeitamente balanceado. Nham. Quero mais.<\/p>\n<p>Em suma, n\u00e3o s\u00f3 a regi\u00e3o \u00e9 especialmente impressionante, mas os vinhos foram um pequeno espet\u00e1culo \u00e0 parte. Mesmo os devoradores de garrafas de Borgonha ir\u00e3o reconhecer que os Pinots de N\u00e4kel t\u00eam refinamento, equil\u00edbrio e riqueza capazes de deliciar quem gosta de fato da variedade, especialmente considerando-se os pre\u00e7os. Pouca, bem pouca coisa de fora da Borgonha mostrou a qualidade unida \u00e0 tipicidade que esse lugarzinho perdido nas montanhas alem\u00e3s pode mostrar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1050\" aria-describedby=\"caption-attachment-1050\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1050\" data-permalink=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2010\/03\/28\/o-incrivel-pinot-noir-alemao-que-encolheu\/ahr-be\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Ahr-B%C3%AA.jpg?fit=4272%2C2848&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"4272,2848\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS DIGITAL REBEL XSi&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1269000673&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;43&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;400&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.001&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Ahr B\u00ea\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;&#8220;Pera\u00ed que aqui tem sinal&#8230;&#8221;&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Ahr-B%C3%AA.jpg?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/Ahr-B%C3%AA.jpg?fit=1024%2C682&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-1050 \" title=\"Ahr B\u00ea\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/Ahr-Be-600x400.jpg?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1050\" class=\"wp-caption-text\">&quot;Pera\u00ed que aqui tem sinal...&quot;<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Weinhaus Meyer-N\u00e4kel<br \/>\nHardtbergstra\u00dfe 20<br \/>\n53507 Dernau Alemanha<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" align=\"right\" width=\"425\" height=\"350\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" marginheight=\"0\" marginwidth=\"0\" src=\"http:\/\/maps.google.com\/?ie=UTF8&amp;t=h&amp;ll=50.538008,7.04391&amp;spn=0.004773,0.00912&amp;z=16&amp;iwloc=lyrftr:h,11197187396944320947,50.536426,7.044103&amp;output=embed\"><\/iframe><br \/><small><a href=\"http:\/\/maps.google.com\/?ie=UTF8&amp;t=h&amp;ll=50.538008,7.04391&amp;spn=0.004773,0.00912&amp;z=16&amp;iwloc=lyrftr:h,11197187396944320947,50.536426,7.044103&amp;source=embed\" style=\"color:#0000FF;text-align:right\">View Larger Map<\/a><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230; na minha ta\u00e7a. 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Em meio ao vai-e-vem das visitas a produtores pela Alemanha, conseguimos incluir no roteiro a (praticamente desconhecida no exterior) regi\u00e3o de Ahr, no extremo norte, para que pud\u00e9ssemos provar os vinhos de Pinot Noir que s\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"bgseo_title":"","bgseo_description":"","bgseo_robots_index":"","bgseo_robots_follow":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[5,11,15],"tags":[27,28,31,136,199,283,307,332,403,445,447],"class_list":["post-1026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geografia","category-provas","category-viagens","tag-ahr","tag-ahrtal","tag-alemanha","tag-deutches-weininstitut","tag-german-wines","tag-meyer-nakel","tag-obelix","tag-pinot-noir","tag-spatburgunder","tag-vinho","tag-vinho-tinto"],"jetpack_publicize_connections":[],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pfxtB-gy","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":false,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}