{"id":1437,"date":"2012-06-30T13:46:48","date_gmt":"2012-06-30T13:46:48","guid":{"rendered":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/?p=1437"},"modified":"2012-07-02T19:03:26","modified_gmt":"2012-07-02T19:03:26","slug":"tornando-se-um-master-of-wine-ou-no-por-vasco-magalhes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2012\/06\/30\/tornando-se-um-master-of-wine-ou-no-por-vasco-magalhes\/","title":{"rendered":"Tornando-se um Master of Wine, ou n&atilde;o, por Vasco Magalh&atilde;es"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><em>O processo para a forma\u00e7\u00e3o de um Master of Wine \u00e9 longo e exigente. \u00c9 comum que alunos do <a href=\"http:\/\/www.mastersofwine.org\" target=\"_blank\">Instituto<\/a> se tornem grandes especialistas em vinho, reputados por sua capacidade de degusta\u00e7\u00e3o ou seu conhecimento do mercado e da geografia do vinho e, ainda asssim, n\u00e3o obtenham o t\u00edtulo. Vasco Magalh\u00e3es \u00e9 respons\u00e1vel pelo departamento de Wine Education da SOGRAPE, o maior grupo vitivin\u00edcola de Portugal (e um dos maiores do mundo). Al\u00e9m de ter esclarecido uma batelada de d\u00favidas e compartilhado comigo suas reflex\u00f5es sobre o processo de estudo e forma\u00e7\u00e3o (em breve em outro post), o Vasco ainda teve o cuidado de escrever para a s\u00e9rie \u201cTornando-se um Master of Wine\u201d um relato do seu percurso no mundo do vinho e como a forma\u00e7\u00e3o para MW transformou sua carreira, mesmo sem a obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo. Boa leitura!<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"justify\">Entrei no mundo dos vinhos por acidente. Fui trabalhar para uma casa de Vinho do Porto, ainda n\u00e3o tinha 30 anos, e passado um ano e pouco, deram-me um lugar na \u201cSala de Provas\u201d. Embora o vinho em casa dos meus pais fosse visita di\u00e1ria nas nossas refei\u00e7\u00f5es, eu n\u00e3o fazia ideia o que era provar vinho e muito menos Vinho do Porto. Mas passei a ser \u201cProvador de Vinho do Porto\u201d t\u00edtulo que soa um pouco jur\u00e1ssico nos dias de hoje.<\/p>\n<p><a name=\"v1\"><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">Tive um ingl\u00eas (a companhia era inglesa) como mestre que me ensinou a arte de lotar<a href=\"#1\"><sup>1<\/sup><\/a> os vinhos, criar os Rubies, os Tawnies, escolher aqueles vinhos especiais que dariam os famosos Vintages. O Gordon era, j\u00e1 de si, um homem de poucas palavras e aquela grande Sala de Provas com as bancas repletas de copos, parecia um santu\u00e1rio, vivia-se mais o sil\u00eancio, a medita\u00e7\u00e3o e alguma alquimia na arte da lota\u00e7\u00e3o<a href=\"#1\"><sup>1<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim passaram dez anos em que me apaixonei por este trabalho, pelos vinhos, pelas vinhas que visitava, pelas adegas onde faz\u00edamos o vinho criando com ele uma grande cumplicidade.<\/p>\n<p><a name=\"v2.3\"><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">Um dia o director da companhia anunciou-me que eu iria estudar para o Master of Wine. A minha reac\u00e7\u00e3o foi a pior. Naquele tempo, os MW\u2019s, eram uns ingleses, de idade, que usavam fatos<a href=\"#2\"><sup>2<\/sup><\/a> \u00e0s riscas e gravatas com pintas e falavam muito bem (para n\u00e3o dizer <em>snob)<\/em> sobre os vinhos de Bord\u00e9us<a href=\"#3\"><sup>3<\/sup><\/a>. N\u00e3o era bem isso que eu queria!<\/p>\n<p><a name=\"v4\"><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o passou muito tempo para que eu, com uma caixa de 6 copos de prova numa m\u00e3o e uma cuspideira na outra, me sentasse nos bancos da escola Londrina, Wine &amp; Spirit Education Trust. Do sil\u00eancio da minha sala de provas e do perfume dos Tawnies velhos, passei \u00e0 descri\u00e7\u00e3o exaustiva e barulhenta de vinhos de Novo Mundo e Velho Mundo, dos vinhos da margem direita e esquerda do Gironde, dos aromas a espargos<a href=\"#4\"><sup>4<\/sup><\/a>, frutos vermelhos, a violeta, especiarias, da acidez baixa, m\u00e9dia e alta e o mesmo para os taninos e para o alcool, o <em>grip <\/em>e o<em> crisp<\/em>!<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi a nova paix\u00e3o agora a n\u00edvel global, mas tamb\u00e9m uma namorada dif\u00edcil de conquistar! Foram muitos anos de estudo, de viagens, de provas, de palestras, foram anos de uma riqueza enorme que me deram conhecimentos que noutro tipo de forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o me teria sido poss\u00edvel. No entanto, tenho que confessar e digo-o sem vergonha, o grau de dificuldade dos exames para o Master of Wine tanto a n\u00edvel da prova como a parte escrita (a mais dif\u00edcil em minha opini\u00e3o) o tempo necess\u00e1rio para o trabalho, estudo e fam\u00edlia, o esp\u00edrito de sacrif\u00edcio que a tudo isto obriga e que eu n\u00e3o o tive, levaram-me a desistir.<\/p>\n<p align=\"justify\">Admiro os recentes MW\u2019s e apoio incondicionalmente os que se empenham agora em concretizar este desafio em que hoje o grau de exig\u00eancia \u00e9 indiscutivelmente muito maior que a uma d\u00e9cada atr\u00e1s.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deixei a empresa de Vinho do Porto ao fim de 20 anos de trabalho porque a experi\u00eancia que me deram os estudos para o Master of Wine fizeram alterar muito a minha vida profissional. Hoje trabalho para a maior empresa de vinhos em Portugal que faz vinho nas principais regi\u00f5es vitivin\u00edcolas portuguesas, faz vinho na Argentina, Chile, Nova Zel\u00e2ndia e Espanha, \u00e9 dona de tr\u00eas marcas de Vinho do Porto e a minha fun\u00e7\u00e3o dentro da Empresa \u00e9 o de <em>Wine Educator.<\/em> Tenho que correr mundo a falar de todos estes vinhos, como s\u00e3o feitos e que castas utilizam, dos solos e climas de cada regi\u00e3o e, naturalmente, explicar o que \u00e9 um Vinho do Porto Ruby, um Tawny ou um Vintage.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o tenho o MW \u00e0 frente do meu nome mas devo (quase) todo o saber aos estudos que fiz enquanto estudante do Master of Wine. Afinal n\u00e3o foi tempo perdido!<\/p>\n<p align=\"justify\">Vasco Magalh\u00e3es<\/p>\n<p align=\"justify\">Porto, 29 de Junho de 2012<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"justify\">&#160;<\/p>\n<p align=\"justify\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px 8px 0px 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: left; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px\" title=\"Vasco Magalhaes_p\" border=\"0\" alt=\"Vasco Magalhaes_p\" align=\"left\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Vasco-Magalhaes_p_thumb.jpg?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" width=\"0\" height=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Saiba mais sobre Vasco Magalh\u00e3es e entre em contato com ele atrav\u00e9s de sua p\u00e1gina na Association of Wine Educators:<\/p>\n<p> <a href=\"http:\/\/www.wineeducators.com\/vasco_magalhaes.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.wineeducators.com\/vasco_magalhaes.html<\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#160;<\/p>\n<p align=\"justify\">&#160;<\/p>\n<p>Notas do Editor:<\/p>\n<p><a name=\"2\">1<\/a>. Lotar, Lota\u00e7\u00e3o: a t\u00e9cnica de combinar vinhos de diferentes origens. Tamb\u00e9m corte, blend ou assemblage. <a href=\"#v1\"><em>voltar<\/em><\/a><\/p>\n<p><a name=\"3\">2<\/a>. Fatos: o nosso terno, em Portugal. <a href=\"#v2.3\"><em>voltar<\/em><\/a><\/p>\n<p><a name=\"4\">3<\/a>. Bord\u00e9us: por incr\u00edvel que possa parecer para alguns, \u00e9 o nome da regi\u00e3o de Bordeaux, em portugu\u00eas. <a href=\"#v2.3\"><em>voltar<\/em><\/a><\/p>\n<p>4. Espargos: aspargos, em Portugal. <a href=\"#v4\"><em>voltar<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O processo para a forma\u00e7\u00e3o de um Master of Wine \u00e9 longo e exigente. \u00c9 comum que alunos do Instituto se tornem grandes especialistas em vinho, reputados por sua capacidade de degusta\u00e7\u00e3o ou seu conhecimento do mercado e da geografia do vinho e, ainda asssim, n\u00e3o obtenham o t\u00edtulo. 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