{"id":1559,"date":"2018-09-27T17:18:14","date_gmt":"2018-09-27T17:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/?p=1559"},"modified":"2018-09-27T17:18:14","modified_gmt":"2018-09-27T17:18:14","slug":"do-fundo-do-bau-charutos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2018\/09\/27\/do-fundo-do-bau-charutos\/","title":{"rendered":"Do Fundo do Ba\u00fa &#8211; Charutos!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A cada dois ou tr\u00eas anos eu fumo um charuto &#8211; e adoro, na hora, at\u00e9 lembrar porque levo dois anos pra aceitar fumar de novo. Fuma\u00e7a n\u00e3o \u00e9 minha praia, acaba com meu olfato, minha respira\u00e7\u00e3o e com o sabor natural da minha boca. Mas, num passado obscuro e distante, eu me dediquei at\u00e9 bastante a entender e aprender sobre charuto e tenho boas lembran\u00e7as dessa \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurando outras coisas nas gavetas mais baixas do meu pc eu achei hoje duas p\u00e9rolas em forma de notas de degusta\u00e7\u00e3o. O texto \u00e0s vezes fica meio rebuscadim demais da conta (combina\u00e7\u00e3o de obssess\u00e3o lingu\u00edstica com somelel\u00ea em forma\u00e7\u00e3o d\u00e1 caca) mas, gente &#8211; \u00e9 t\u00e3o um retrato de um momento, um relato foss\u00edl de uma Perip\u00e9cia v\u00e9ia, que eu achei que merecia compartilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pra completar o n\u00edvel obsessivo de colecionismo e completismo, achei em outra gaveta digital\u00a0<strong>imagens da degusta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/strong>At\u00e9 eu fiquei com medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De b\u00f4nus, tem notas de degusta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s e whiskies, num estudo de harmoniza\u00e7\u00e3o (!) com os charutos. Um salve ao Gustavo Giacchero, sommelier comparsa que deu g\u00e1s (sem trocadalho) aos estudos na \u00e9poca e em especial ao Ruimar, mestre m\u00e1ximo do charuto que serviu de mentor na empreitada.<\/p>\n<p>Olha\u00ed:<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"text-decoration: underline;\">Estudo de Charutos \u2013 05\/11\/06<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">1 &#8211; J\u00f4 Soares Corona \u2013 Ilhas Can\u00e1rias<\/span><\/p>\n<p>As Can\u00e1rias s\u00e3o uma esp\u00e9cie de entreposto da Espanha na costa norte-africana. \u201cInventores\u201d do charuto moderno, os espanh\u00f3is s\u00e3o os maiores consumidores do mundo de Habanos e existe uma \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre os charutos e as touradas.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Pr\u00e9-Combust\u00e3o<br \/>\n<\/span>Charuto cil\u00edndrico e uniforme, com cabe\u00e7a arrendondada achatada. O miolo parece ser uniforme ao tato, sem falhas de preenchimento.<\/p>\n<p>Capa clara, com a \u00e1rea perpendicular \u00e0 frente da anilha mais clara, apar\u00eancia de queimado pela luz. Est\u00e1 um pouco ressecado.<\/p>\n<figure style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/Sl314du9rqtocxDRANZ_VRYwfO8CDnAcLugNJ2dm8XeKsf0rPtK2wKd7ges17q8aP_GJcucdXNV-tBMXUNdEw2rZZ3mlTWuWbTm-RwWF6h8UcBgpOedaMpXUcUrSBHeWvcIXeEbQzYVcY9jabuKbZgTEBE1F05tHx-GnkJlg5s1ubr9AEwhiO9DLmZi5o2Wri2K5R2DXpEcJLRmnlAlekmLLgTVwHJq2u8jDM7UdHZ0cgxjA0Ak4YJ1zaI5STJHo85v0-g3h5vtVd-Y2xYF387ioNqPXC3D4XY_fcVRHSTvkJu1HaxP3JaVUqnaYFCi-3eru-T1Nbag0mBQDn4zOJgP-QAt4HRsk40duFS0hTWdyIysPdDH991nui4hjdfUcF-KOeNNZJVCaIh31GP5cCFIY4S3m4Bk3I3qEGqz4m-ELMV-fz8_PU63BleFrbq3CH97IEgSFPwWUwtXdosAe-o6oOLFFspbq2EiIMd0lQF1SQgauLlRVTwKdMLIN8BL9LaZ4pkyvcnSI_Bsv7eVxwyv6uBUnIRAxM7xLDDlh5bAbpNguA71yCBY2f68-AWSOD-pRfBlZ_aNxMMEuIlZ-B2bP9_5OwLjnn9LsIZhNtt1F8aX_bf4rAZ5l9kbvvGeR=w876-h657-no\" alt=\"\" width=\"438\" height=\"328\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cacetilda, d\u00e1 pra ver mesmo a marca da anilha! (mesmo com essa belezura de foto feita pelo meu velho Palm)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A capa \u00e9 bastante uniforme, muito nervurada, com um pequeno furo feito por algo mais duro no miolo, fazendo pensar na ponta de um talo.<\/p>\n<p>Movendo a anilha confirmo que a capa est\u00e1 queimada pela luz, pois por baixo da cobertura do papel a cor \u00e9 mais escura, uniforme.<\/p>\n<p>Aromas delicados e agrad\u00e1veis, que fazem pensar em noz moscada e pimenta.<\/p>\n<p>Ao cortar, o interior da parte menor se esfacelou. A riqueza arom\u00e1tica por\u00e9m se ressalta: algo de est\u00e1bulo, tabaco e pimenta do reino.<\/p>\n<p>Tragar o charuto apagado \u00e9 muito agrad\u00e1vel, envolvendo a boca com os aromas delicados. Ressalta-se na boca uma sensa\u00e7\u00e3o de frescor e um sabor mentolado.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Combust\u00e3o<br \/>\n<\/span>Acende-se com uniformidade e aos primeiros tragos mostra muita ligeireza, aromas suaves e no in\u00edcio mant\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de mentolado.<br \/>\nMostra-se um amargor n\u00e3o muito forte e a variedade de aromas decai sensivelmente.<br \/>\nA queima parece uniforme \u00e0 primeira vista.<br \/>\n\u00c9 muito ligeiro, suavemente picante. Na boca n\u00e3o \u00e9 denso, n\u00e3o mostra textura. Perfume a incenso.<br \/>\nA cinza parece bem clara (magn\u00e9sio?).<br \/>\nMuito ligeiro, traguei sem perceber.<br \/>\nA capa cedeu com um estalo ao segurar o charuto com os dentes.<br \/>\nSuav\u00edssimo adocicado na boca, que em combina\u00e7\u00e3o com o amargor faz pensar em am\u00eandoas.<\/p>\n<figure style=\"width: 369px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/kl9rDq3D8-1HqF_mARyw1SpuF3xKNKiLdmJFwz-yomoTZn-DqN-YvqujH937F-fbDmiABGvfDlQ9ZDL7Fk3rh-3euBkzPdnNE1kCOwA0oHpmhWiVHJh8wWpUezBpBs4R26O7jGs6HHakVruOdu2M6B-sugjkbiCkNGLwW7Y9EfEjFa8KMc3d_PAC4CqaYeriLr28jbwh2QM9E8Qb-QKJDjjLXePwzCuXvSrNf8kEJfM0bUWv0f13Lh6lueIrNoWKZ676zZQcP5eUWBIlQMiqNcpfo8Dp9ZM6Fv53wYFkhK8j_lAck7hcwCFr2hngMPN0G0-gkefZAZmXmo6QL2Qex5oJl5QThT5LdkLnbYZOhpei85PM9wBpt_ZqHx68fxVfxBhsiSk_eYu83TJ01r_m2AdjiE6nQtLLJJyLYK4aYx1Rwz4ZuuIlSKFqlQwKarxF0DYZHndlfak2xzscW1wD1VscPLKTWM4RrIzPP3I2lWtDi7qYVLGWzxPdRgj3zDKH9pD14qXFvdmMcRFx1A8-A0QDfZ4NmEcirENCrLdWGpOYkKJgA0OHAhEA2vM4a47LCTBJkw08ZuGfNpqB0xZRBqkBgG63K6yBKrtDJb51qwfEVQvUxpqY08wu0hhtuxxC=w493-h657-no\" alt=\"\" width=\"369\" height=\"492\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">D\u00e1 pra ver nos papilim as anota\u00e7\u00f5es originais que eu diligentemente digitei algum dia. Obrigado, Bernardo com TOC do passado, o Bernardo com TOC do presente est\u00e1 feliz em ler isto.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Caf\u00e9 Expresso Santa Sophia<\/span><br \/>\nBastante arom\u00e1tico, com um toque de chocolate no aroma. Creme denso, no in\u00edcio me parece ressaltar o dul\u00e7or do charuto. Acidez e salinidade aparecem em pouco tempo.<\/p>\n<p>A cinza se solta do charuto com cerca de 2,5 cm de comprimento.<\/p>\n<p>O tamanho do charuto me parece muito agrad\u00e1vel. N\u00e3o sobreaquece, se encaixa bem na m\u00e3o. Em 20 minutos n\u00e3o fumei ainda todo o primeiro ter\u00e7o.<\/p>\n<p>Aromas terrosos aparecem depois de algum tempo, talvez ressaltados pelo caf\u00e9. Algo de caramelo permanece na boca.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Caf\u00e9 2 \u2013 Santa Sophia Premium<\/span><br \/>\nMostra uma delicadeza olfativa maior, aromas de p\u00e3o.<br \/>\nNa boca muito mais macio, com a acidez um tanto mais amena.<br \/>\nCreme ainda mais espesso, sabores mais complexos, faz pensar em tempero de carne (!?) tipo chimichurri.<\/p>\n<p>O charuto mostra-se mais perfumado no ar e a cinza parece mais escura pela metade (30 min.)<br \/>\nA cinza se quebra de novo com mais 2,5 cm. Ela \u00e9 bastante serrilhada, com linhas quase paralelas.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Geral<\/span>:<br \/>\nCharuto delicado, pouco arom\u00e1tico, mas que imagino ser agrad\u00e1vel para fumadores inexperientes ou ocasionais. N\u00e3o irrita, n\u00e3o aquece de maneira excessiva, tem queima uniforme e aromas discretos mas agrad\u00e1veis. N\u00e3o encanta particularmente, mas sem d\u00favida n\u00e3o agride. Sinto a sensa\u00e7\u00e3o de cabe\u00e7a leve logo depois de come\u00e7ar a pensar em apagar o charuto. Os aromas da queima no ar continuam agrad\u00e1veis, mas a fuma\u00e7a e o sabor come\u00e7am a me incomodar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Estudo de Charutos \u2013 07\/11\/06<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">2 \u2013 Avo Domaine no. 20 \u2013 Small Perfecto <\/span><br \/>\n(\u00e9 um Figurado, ou seja, de formato irregular. S\u00e3o considerados de alta qualidade, por serem de dif\u00edcil elabora\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Dominicana \u00e9 considerada a \u00fanica fonte no mundo de charutos que podem, de alguma maneira, competir em qualidade com os cubanos. Os seus bons charutos dependem do conhecimento de torcedores e vegueros com experi\u00eancia em Cuba, sementes com origem em Vuelta Abajo e condi\u00e7\u00f5es de clima e solo ideais, bastantes similares \u00e0s cubanas. \u00c9 o maior produtor do mundo em volume.<\/p>\n<p>Avo Uvezian, o nome por tr\u00e1s da marca, nasceu em Beirute e \u00e9 m\u00fasico filho de m\u00fasicos. Conheceu os charutos em viagem a Porto Rico e se apaixonou ao ponto de trocar de profiss\u00e3o. Em associa\u00e7\u00e3o com Hendrik Kelner come\u00e7ou sua linha de dominicanos em 1988 e ao atingir o \u00e1pice do reconhecimento do mercado mundial vendeu sua marca ao grupo controlador da marca Davidoff.<\/p>\n<p>O tabaco \u00e9 cultivado no Valle de Cibao, considerado melhor regi\u00e3o da RD para o cultivo. Suas folhas s\u00e3o do tipo \u201cPiloto Cubano\u201d, de sementes origin\u00e1rias de Vuelta Abajo, Cuba. As capas s\u00e3o freq\u00fcentemente do tipo Connecticut Shade. O solo da regi\u00e3o \u00e9 arenoso e f\u00e9rtil e o clima \u00e9 adequadamente \u00famido.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Pr\u00e9-Combust\u00e3o<br \/>\n<\/span>Charuto em formato de torpedo, com as duas pontas afuniladas, sendo a cabe\u00e7a mais arrendondada.<br \/>\nA capa \u00e9 de cor marrom escuro, tom de chocolate ao leite. \u00c9 sedosa e uniforme, com pequenas varia\u00e7\u00f5es de colora\u00e7\u00e3o, em especial seguindo as nervuras da folha.<br \/>\nAo tato parece firme e uniforme, n\u00e3o est\u00e1 ressecado, mas um pouco duro.<br \/>\nNo nariz mostra claramente am\u00f4nia, mas tamb\u00e9m um perfume almiscarado que punciona o nariz por dentro. Est\u00e1bulo. (Inclusive na loja, quando retiramos o celofane.)<\/p>\n<p>Ao cortar, o interior da parte menor se esfacelou, como com o Jo Soares. O perfume de terra molhada se eleva e faz lembrar castanha do par\u00e1 (terra molhada como na castanha ap\u00f3s ser descascada).<\/p>\n<p>O trago apagado ressalta na boca a terra molhada, algo de mentolado tamb\u00e9m. O adocicado toca v\u00e1rios pontos da boca.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Combust\u00e3o<br \/>\n<\/span>A ponta se queima com um cheiro de fuma\u00e7a, sem perfume. Ao acender-se de fato, come\u00e7a a perfumar o ar. O amargor \u00e9 a primeira sensa\u00e7\u00e3o a se mostrar, mas n\u00e3o h\u00e1 queima\u00e7\u00e3o nem ardor em nenhum ponto da boca. O perfume no ar \u00e9 muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>O sabor envolve toda a boca com delicadeza, o amargor se ressalta ainda mais, fazendo sumir quase todo o dul\u00e7or. TODA a boca est\u00e1 envolvida pelos sabores, de maneira muito agrad\u00e1vel e surpreendente.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Scotch Whisky \u2013 Clan MacGregor \u2013 Vol. Alco\u00f3lico 40% &#8211; Sem gelo<br \/>\n<\/span>Amarelo-\u00e2mbar claro. Aromas bastante frutados, cereja. Na boca mostra toda a pic\u00e2ncia alco\u00f3lica, mas boa sedosidade e fruta.<\/p>\n<p>O trago do charuto resulta muito menos amargo, com sabores a tabaco mais evidentes. Com mais ou menos 10 min. de combust\u00e3o, a queima come\u00e7a a ficar desuniforme, com a parte de baixo queimando mais lentamente. A cinza \u00e9 clara, de cor uniforme.<\/p>\n<p>O whisky ameniza o charuto, mas tamb\u00e9m parece ocult\u00e1-lo um pouco. O dul\u00e7or \u00e9 agrad\u00e1vel, em combina\u00e7\u00e3o com o charuto, que fica bastante agrad\u00e1vel e macio. Ressalta-se novamente a terra molhada.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Scotch Whisky 2 \u2013 Johnnie Walker Black Label (12 anos) \u2013 Vol. Alco\u00f3lico 43% &#8211; Sem gelo.<br \/>\n<\/span>Amarelo-\u00e2mbar escuro, com tra\u00e7os alaranjados. Bem menos frutado.<br \/>\nNa boca, mais denso e untuoso, MUITO menos picante, a pesar do teor alco\u00f3lico mais alto.<\/p>\n<p>Ressalta mais uma vez a terra e os aromas de est\u00e1bulo [do charuto].<br \/>\nA queima continua desuniforme, a cinza est\u00e1 muito bonita.<br \/>\nO ponto da capa que parecia reter a queima cedeu, entrando no segundo ter\u00e7o do charuto.<\/p>\n<p>Me parece que o Black n\u00e3o contribui para a degusta\u00e7\u00e3o. O MacGregor, talvez pela fruta, oculte mais o amargor e ressalte a delicadeza.<\/p>\n<p>A cinza n\u00e3o se solta do charuto, mesmo com 3,5 cm.<br \/>\nA sedosidade e o dul\u00e7or do Avo se mostram mais e mais.<br \/>\n25 minutos de degusta\u00e7\u00e3o: a ponta na parte mais afunilada da cinza cede ao toque com o cinzeiro, mas um peda\u00e7o grande da base, com quase 2 cm continua preso com firmeza.<\/p>\n<p>Primeira sensa\u00e7\u00e3o de leveza na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Aromas de terra est\u00e3o sempre em evid\u00eancia e algo mineral aparece mais acentuadamente.<br \/>\nSinto o calor do charuto nos dedos e a fuma\u00e7a se mostra mais quente na boca, mas n\u00e3o queima nem incomoda. Os aromas e sabores se mant\u00eam intactos.<\/p>\n<p>O dul\u00e7or volta a se ressaltar e no nariz sinto o perfume de mel. \u00c9 bastante delicado, sem brutalidade e sem agressividade no ar.<br \/>\nA menta reaparece na boca. Meio charuto em 30 minutos.<br \/>\nOs aromas terrosos s\u00e3o os mais presentes em todo o tempo de combust\u00e3o. O perfume faz pensar de novo em incenso. Menta ou c\u00e2nfora?<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: Os aromas de menta e de incenso me parecem na verdade c\u00e2nfora.<br \/>\nCada vez mais presente a c\u00e2nfora, o frescor da c\u00e2nfora que me fazia pensar em menta.<br \/>\nMuito gostoso o charuto, envolve todo o palato. Sabor de alguma verdura amarga. Chic\u00f3ria?<br \/>\nO frescor na boca se ressalta mais e mais. No ar do quarto o perfume \u00e9 canforado.<\/p>\n<p>O miolo queimou mais r\u00e1pido que a capa, caindo no cinzeiro e deixando uma casca. Mais uma vez, a parte de baixo queimou mais devagar.<br \/>\nO charuto est\u00e1 bem curto e continua agrad\u00e1vel. Na boca a terra, o toque mineral continuam. A c\u00e2nfora some no sabor, mas o perfume continua no ar.<br \/>\nCom quase 1 hora de combust\u00e3o, ainda n\u00e3o pensei em apagar, apesar do charuto continuar aquecendo meus dedos. O dul\u00e7or volta a aparecer na boca no final.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a combust\u00e3o ficam na boca:<br \/>\nAlmiscarado,<br \/>\nDul\u00e7or,<br \/>\nAmargor suave.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Geral<\/span><br \/>\nCharuto rico e complexo, muda muito no decorrer da combust\u00e3o, \u00e9 muito agrad\u00e1vel e nem ao menos irrita a boca. Algumas vezes algum sabor ou aroma se evidenciou sem que eu conseguisse identific\u00e1-lo, mas o frescor quase constante da c\u00e2nfora (logo ao acender e em toda a segunda metade) foi uma surpresa muito agrad\u00e1vel.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada dois ou tr\u00eas anos eu fumo um charuto &#8211; e adoro, na hora, at\u00e9 lembrar porque levo dois anos pra aceitar fumar de novo. 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