{"id":21,"date":"2007-03-12T12:00:00","date_gmt":"2007-03-12T14:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/peripeciaspalacescas.wordpress.com\/2007\/03\/12\/de-gustibus-non-disputandum-est-2\/"},"modified":"2010-09-06T16:27:42","modified_gmt":"2010-09-06T16:27:42","slug":"de-gustibus-non-disputandum-est-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2007\/03\/12\/de-gustibus-non-disputandum-est-2\/","title":{"rendered":"De Gustibus Non Disputandum Est 2"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o leu a primeira parte, clique <a href=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2007\/03\/12\/de-gustibus-non-disputandum-est-2\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Muito bem, vamos retomar o Gosto.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">\u00c9 f\u00e1cil observar toda a pol\u00eamica dos infinitos debates sobre a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o, sobre as op\u00e7\u00f5es que o en\u00f3logo tem. Qualquer apreciador com um pouquinho mais de tempo de ta\u00e7a j\u00e1 se embrenhou em uma conversa: <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/inserstave_vert.jpg?w=0&#038;ssl=1\" style=\"float:right;margin:0 0 10px 10px;\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00b7 sobre inner-staves ou oak chips (t\u00e1buas facilmente manobr\u00e1veis dentro dos tanques de a\u00e7o ou lascas de madeira que, de certa forma, substituem as barricas de carvalho ao doar ao vinho aromas e sabores caracter\u00edsticos);<br \/>\n\u00b7 sobre screw-caps (as famigeradas tampas de rosca, que a maioria simplesmente n\u00e3o considera ao falar de vinho, mas nem percebe nas garrafas de whisky e de v\u00e1rias outras das bebidas mais renomadas e, \u00e0s vezes, mais caras do mundo);<br \/>\n\u00b7 sobre chaptaliza\u00e7\u00e3o, desalcooliza\u00e7\u00e3o, parkeriza\u00e7\u00e3o, michel-rollanderiza\u00e7\u00e3o ou qualquer outra das tend\u00eancias do mercado enol\u00f3gico atual.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Com o dedo na ferida: tem gente esquecendo de que \u00e9 o GOSTO das pessoas que molda o PRODUTO no mercado e o gosto das pessoas hoje \u00e9 bem claro: as pessoas querem sabores que se apresentem de imediato; querem vinhos prontos para beber; querem maciez e dul\u00e7or; e TODO MUNDO quer novidade o tempo todo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Como faz notar Eric Asimov, colunista de vinhos do New York Times, a imensa maioria dos vinhos vendidos no mundo \u00e9 elaborada industrialmente. \u201cEles s\u00e3o commodities e os produtores t\u00eam todas as justificativas do mundo em utilizar a tecnologia que esteja \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para criar um produto que venda\u201d, defende Asimov.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">De fato, n\u00e3o \u00e9 de se julgar a Fiat por fabricar Uno Mille, s\u00f3 porque a Rolls Royce e a Land Rover fazem carros dignos da realeza brit\u00e2nica. O Uno, como os vinhos que obtiveram suas caracter\u00edsticas organol\u00e9pticas atrav\u00e9s de m\u00e9todos mais baratos e r\u00e1pidos de produ\u00e7\u00e3o, tem um objetivo e um p\u00fablico espec\u00edficos, enquanto os Rolls Royce e os Grands Crus franceses t\u00eam os seus pr\u00f3prios objetivos e um p\u00fablico extremamente restrito.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Um dos exemplos mais eloq\u00fcentes da acirrada \u201cDisputa do Gosto\u201d \u00e9 o uso da madeira de carvalho na produ\u00e7\u00e3o vin\u00edcola. Desde tempos imemoriais, a madeira vem acompanhando o vinho: inicialmente, era somente um ve\u00edculo, um recipiente para estocagem, dado que, nas condi\u00e7\u00f5es ideais, era um material estanque, de boa manobrabilidade e f\u00e1cil de trabalhar e dar forma.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Com o passar dos anos, produtores perceberam que, de acordo com as caracter\u00edsticas da madeira utilizada (a esp\u00e9cie da qual provinha, o tamanho do recipiente, o qu\u00e3o nova ou velha \u00e9 a madeira, etc.) o vinho recebia esta ou aquela influ\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Com a entrada de fato dos americanos no mercado mundial de vinho, a madeira adquiriu um papel central e de relev\u00e2ncia como nunca antes. O uso de barricas pequenas de carvalho novo, com tostado forte (ou pelo menos m\u00e9dio), garantia que a passagem do vinho pela madeira n\u00e3o passasse despercebida, pois seus reflexos no vinho tinham ca\u00eddo no gosto do p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">Madeira no vinho \u00e9, como tudo em enologia, uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o e de gosto, n\u00e3o necessariamente de qualidade. Pessoalmente, os vinhos excessivamente amadeirados, como os excessivamente frutados (e os excessivamente alco\u00f3licos, os excessivamente \u00e1cidos, os excessivamente no geral), n\u00e3o s\u00e3o os que mais me agradam, embora sejam, muitas e muitas vezes, excelentes companheiros de ta\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-indent:27pt;text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p>Para ler a opini\u00e3o de Asimov sobre a tecnologia no mundo do vinho, clique <a href=\"http:\/\/thepour.blogs.nytimes.com\/2007\/03\/06\/when-technology-is-worthwhile\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Se voc\u00ea n\u00e3o leu a primeira parte, clique aqui. &nbsp; Muito bem, vamos retomar o Gosto. \u00c9 f\u00e1cil observar toda a pol\u00eamica dos infinitos debates sobre a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o, sobre as op\u00e7\u00f5es que o en\u00f3logo tem. 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