{"id":22,"date":"2007-03-20T19:47:00","date_gmt":"2007-03-20T21:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/peripeciaspalacescas.wordpress.com\/2007\/03\/20\/de-frescuribus-non-proliferandus-est-ou-deveriabus-ser-ou-larga-de-frecura-com-a-minha-garrafa-de-vinho\/"},"modified":"2010-09-06T16:26:27","modified_gmt":"2010-09-06T16:26:27","slug":"de-frescuribus-non-proliferandus-est-ou-deveriabus-ser-ou-larga-de-frecura-com-a-minha-garrafa-de-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2007\/03\/20\/de-frescuribus-non-proliferandus-est-ou-deveriabus-ser-ou-larga-de-frecura-com-a-minha-garrafa-de-vinho\/","title":{"rendered":"De Frescuribus non Proliferandus Est (ou Deveriabus Ser) &#8211; Ou &quot;Larga de Frescura com a Minha Garrafa de Vinho!&quot;"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/1857_anuncio_de_cerveja.jpg?w=0&#038;ssl=1\" style=\"float:left;cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0;\" border=\"0\" \/>Acabo de descobrir mais uma fonte, dentre as muitas do momento &#8220;blog de vinhos&#8221;, de boas refer\u00eancias <i>online <\/i>sobre vinho: o site &#8220;Bacco e Bocca&#8221;, que voc\u00eas podem encontrar na se\u00e7\u00e3o &#8220;Outros Per\u00edpeces&#8221; ao lado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Bacco e Bocca \u00e9 uma &#8220;dupla de cinco&#8221; amantes do vinho, alguns deles aparentemente profissionais do vinho, mas inimigos da baboseira enol\u00f3gica (e restauratol\u00f3gica) que se espalha com agilidade pelo territ\u00f3rio nacional e um dos artigos mais \u00e1cidos e inteligentes deles \u00e9 sobre a &#8220;frescura no servi\u00e7o e consumo de vinho no Brasil&#8221;, o que \u00e9 muito visto e pouco debatido por a\u00ed.<\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 h\u00e1 algum tempo venho realizando pequenos treinamentos com equipes de servi\u00e7o em restaurantes e, ao contr\u00e1rio do que os propriet\u00e1rios (e da pr\u00f3pria brigada) esperam, antes de conseguir falar qualquer coisa sobre os vinhos da carta n\u00e3o consigo evitar abordar alguns assuntos mais, hmmm, imediatos com eles, tais como a import\u00e2ncia de conhecer o produto que est\u00e1 sendo vendido, antecipar-se ao cliente observando-o e de fato interpretando-o para decidir como agir durante o servi\u00e7o e etc.<\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p align=\"justify\">\u00c9 por a\u00ed que chegamos ao ponto que Iacovos, colaborador do Bacco e Bocca, explorou com tanta, vamos dizer, pung\u00eancia: a s\u00e9rie de frescuras, tradi\u00e7\u00f5es e expectativas que o brasileiro absorveu e\/ou gerou sem pensar sobre o assunto. Seguem algumas delas, as que normalmente aparecem rapidamente nas reuni\u00f5es com as brigadas:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<div align=\"justify\">A Rolha: cheirar ou n\u00e3o cheirar, eis a quest\u00e3o;<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">A Prova: decidindo se o vinho est\u00e1 bom;<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">A ta\u00e7a: a grande \u00e9 pra \u00e1gua e vinho branco, a pequena, para vinho tinto. N\u00e3o, \u00e9 o contr\u00e1rio. N\u00e3o, a maior para \u00e1gua, a segunda para tintos e a terceira para ros\u00e9. N\u00e3o, \u00e9 o contr\u00e1rio.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">Quem escolhe o vinho? O homem ou a mulher?<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">A temperatura ambiente: essa amiga do tinto.<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div align=\"justify\">A adega: garrafa deitada ou morte!<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">Durante minha nada longa experi\u00eancia de pesquisa sobre vinho, pude encontrar uma e outra curiosidade sobre a origem de alguns &#8220;mitos do vinho&#8221; e tamb\u00e9m um ou outro autor que decidiu levar adiante com intelig\u00eancia algumas perguntas que haviam ficado grudadas no coador da tradi\u00e7\u00e3o e vou passar para voc\u00eas as minhas impress\u00f5es at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p align=\"justify\"><u>Li\u00e7\u00e3o Um: O Tahiti n\u00e3o \u00e9 aqui.<\/u><\/p>\n<p align=\"justify\">Ou a Europa, pra ser mais exato. Portanto, a temperatura ambiente (que n\u00e3o \u00e9 a temperatura de servi\u00e7o dos vinhos nem l\u00e1) do Brasil n\u00e3o \u00e9 exatamente a que encontramos nas adegas subterr\u00e2neas de Paris. Esse neg\u00f3cio de que &#8220;vinho branco \u00e9 servido gelado e vinho tinto \u00e0 temperatura ambiente&#8221; N\u00c3O EXISTE.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim como com quase todos os outros aspectos do mundo do vinho, n\u00e3o h\u00e1 lei, mas sim linhas gerais de orienta\u00e7\u00e3o, para que as pessoas n\u00e3o se percam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Vinhos brancos podem ser servidos bem gelados (7\u00b0-8\u00b0 no caso de alguns espumantes) ou gelados (10\u00b0-12\u00b0, no caso de brancos frescos e leves) ou, at\u00e9 mesmo, suavemente gelados (14\u00b0-15\u00b0, para brancos mais complexos que tenham mais o que mostrar aromaticamente).<br \/>\nOs tintos normalmente ficam desagrad\u00e1veis abaixo dos 15\u00b0 (lembrando que o frio diminui a intensidade de aromas de QUALQUER COISA e tamb\u00e9m anestesia nossos receptores sensitivos), mas tamb\u00e9m mostram-se muito t\u00e2nicos e desequilibrados acima dos 20\u00b0.<\/p>\n<p><u>Li\u00e7\u00e3o Dois: Mam\u00e3e j\u00e1 dizia: em Roma como os Romanos!<\/u><\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 alguns mil\u00eanios atr\u00e1s, num dia primaveril, um patr\u00edcio romano, que tinha em sua adega algumas \u00e2nforas de vinho, teve a memor\u00e1vel id\u00e9ia de servir para seus convidados um pouco daquela reserva pessoal de t\u00e3o delicioso n\u00e9ctar.<\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p align=\"justify\">Mandou descer um dos escravos e trazer uma das \u00e2nforas, lacrada, \u00e9 evidente, como deveria ser: algum tipo de tampa r\u00fastica que merecia a maldi\u00e7\u00e3o de todos os Deuses Familiares da casa, pois evitava que seu vinho se derramasse ou que alguma sujeira se depositasse ali dentro, mas n\u00e3o o protegia de alguma coisa (o ar, talvez, ou quem sabe alguma praga rogada por um vizinho) que o transformava, com o passar do tempo, em algo desagrad\u00e1vel e \u00e1cido.<\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p align=\"justify\">Um de seus amigos, bastante viajado e culto, havia aprendido com algum mercador fen\u00edcio um truque: se um ou dois goles de azeite (melhor se aben\u00e7oadamente comprado do templo) fosse derramado dentro da \u00e2nfora, magicamente o vinho n\u00e3o se estragaria t\u00e3o r\u00e1pido.<\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p align=\"justify\">O patr\u00edcio, como bom anfitri\u00e3o, a cada vez que deveria servir um de seus fant\u00e1sticos e bem-conservados vinhos, fazia quest\u00e3o de, num s\u00f3 gole, deglutir todo aquele azeite, que certamente n\u00e3o tinha a mesma textura nem o mesmo sabor do vinho.<\/p>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<p align=\"justify\">E \u00e9 assim que, at\u00e9 hoje, todos os bons anfitri\u00f5es fazem quest\u00e3o de deglutir o primeiro golinho de cada garrafa, para se certificar de que seus convidados n\u00e3o est\u00e3o ingerindo nem uma gota de l\u00edquido estranho e viscoso, o que nos leva \u00e0 pr\u00f3xima parte&#8230;<\/p>\n<p>Para ler a segunda parte, clique <a href=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2007\/03\/30\/de-frescuribus-non-proliferandus-est-ou-deveriabus-ser-ii\/\">aqui<\/a>.<br \/>\nPara ler o artigo dos Bacco e dos Bocca, clique <a href=\"http:\/\/baccoebocca.it\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabo de descobrir mais uma fonte, dentre as muitas do momento &#8220;blog de vinhos&#8221;, de boas refer\u00eancias online sobre vinho: o site &#8220;Bacco e Bocca&#8221;, que voc\u00eas podem encontrar na se\u00e7\u00e3o &#8220;Outros Per\u00edpeces&#8221; ao lado. 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