{"id":602,"date":"2009-06-22T12:30:48","date_gmt":"2009-06-22T15:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/bsmp.com.br\/?p=602"},"modified":"2011-03-15T22:30:10","modified_gmt":"2011-03-15T22:30:10","slug":"california-dreaming","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2009\/06\/22\/california-dreaming\/","title":{"rendered":"California Dreaming"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Chegando de 15 dias de viagem, ap\u00f3s uma prova escabrosa &#8211; mas muito menos dolorosa do que o esperado &#8211; me dei conta de que o blog est\u00e1 abandonado h\u00e1 quase 3 meses (!!!!) e com infinitos rascunhos come\u00e7ados, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de degusta\u00e7\u00f5es documentadas e uma semana na It\u00e1lia para relatar. Mal dos novos tempos, n\u00e3o posso fazer mais do que me adaptar \u00e0s possibilidades e come\u00e7ar a liberar o que j\u00e1 est\u00e1 pronto, at\u00e9 poder finalizar e incluir o que est\u00e1 no forno. Vamos l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi com alguma ansiedade que fui ao Ici Bistr\u00f4 h\u00e1 algumas semanas [detalhe cronol\u00f3gico: a esse ponto, algumas semanas s\u00e3o exatamente um m\u00eas] para participar da degusta\u00e7\u00e3o quinzenal a que fui intimado a comparecer (o tempora! o mores! me obrigam a beber!). O tema desta vez seria &#8220;Vinhos Americanos&#8221; e minha experi\u00eancia com os EUA \u00e9 reduzid\u00edssima: al\u00e9m dos poucos que provei nos pain\u00e9is do WSET (geralmente coisa barata como Blossom Hill e E&amp;J Gallo e umas poucas coisas especiais, a la Frog&#8217;s e Stag&#8217;s Leap), tinha provado um Mer Soleil da Caymus h\u00e1 uns tr\u00eas ou quatro anos e um Opus One (que <a href=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2007\/01\/17\/obra-numero-um-nao-se-engane-nao-fui-eu-2\/\">inaugurou<\/a> este blog!) h\u00e1 dois.<\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">O mercado brasileiro faz quest\u00e3o de praticamente ignorar os vinhos norte-americanos, em parte por puro preconceito, em parte pelos pre\u00e7os alt\u00edssimos: poucos importadores trazem pouca coisa que quase ningu\u00e9m compra. Os vinhos <em>cult<\/em> californianos atingem pre\u00e7os estratosf\u00e9ricos mesmo comprados diretamente das vin\u00edcolas, gra\u00e7as \u00e0s produ\u00e7\u00f5es reduzidas e a alta demanda interna e, para que cheguem at\u00e9 n\u00f3s, t\u00eam custos extra de transporte &#8211; existem praticamente dois fretes: um da costa oeste para a leste e um que traga tudo at\u00e9 nossos portos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more-->Fato \u00e9 que, numa degusta\u00e7\u00e3o cujo tema abrangia todo um pa\u00eds produtor (atualmente o n\u00famero 4 em volume no mundo todo), praticamente TODOS os vinhos eram californianos, mais especificamente de Napa &#8211; \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos Champagnes que abriram a farra, um vinho de Santa Cruz (ainda Calif\u00f3rnia) e de um Bordeaux para o jantar &#8211; e acho que isto quer dizer bastante sobre a percep\u00e7\u00e3o dos apreciadores sobre os vinhos de l\u00e1 do norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_610\" aria-describedby=\"caption-attachment-610\" style=\"width: 423px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/ca-map.gif?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"610\" data-permalink=\"https:\/\/bsmp.com.br\/peripecias\/2009\/06\/22\/california-dreaming\/ca-map\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/ca-map.gif?fit=500%2C709&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"500,709\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"California Map\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/ca-map.gif?fit=211%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/ca-map.gif?fit=500%2C709&amp;ssl=1\" class=\"size-medium wp-image-610\" style=\"margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;\" title=\"California Map\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bsmp.com.br\/peripecias\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/ca-map.gif?resize=0%2C0&#038;ssl=1\" alt=\"California Map\" width=\"0\" height=\"0\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-610\" class=\"wp-caption-text\">Esse mapa muito bom eu roubei desse site bem ruinzinho: http:\/\/www.vinovixenz.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Calif\u00f3rnia \u00e9 responsavel por 90% da produ\u00e7\u00e3o de vinho estadunidense e por 3 de cada 4 garrafas vendidas no mercado no pa\u00eds. Originalmente parte do M\u00e9xico, teve como primeiras videiras vin\u00edferas as ultradifundidas Mission (Pa\u00eds, no Chile e Criolla na Argentina), que foram a base da viti-vinicultura por ali durante muuuuuuuuuuito tempo. Muito. Muito tempo. Mesmo. A import\u00e2ncia hist\u00f3rica (porque do ponto de vista organol\u00e9ptico a uva \u00e9 um zero \u00e0 esquerda) \u00e9 t\u00e3o grande, que ainda existem vinhedos plantados hoje na regi\u00e3o, basicamente para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos doces e de qualidade&#8230; duvidosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">O in\u00edcio da virada deu-se no final do s\u00e9culo XIX, quando a universidade do estado come\u00e7ou a investir em pesquisa e educa\u00e7\u00e3o enol\u00f3gica em Berkeley e, depois, em Davis, hoje um dos principais centros de estudos de vitivinicultura do mundo, ao lado de universidades como Bordeaux, Montpellier (Fran\u00e7a) e Geisenheim (Alemanha).<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">Os estudos da universidade imediatamente surtiram efeito e j\u00e1 em 1881 as pesquisas indicaram que o Vale de San Joaquin, com seu clima mais quente, seria adequado para produ\u00e7\u00e3o de vinhos de volume, enquanto os condados da Costa (Napa e Sonoma em destaque) produziriam vinhos de maior qualidade. Nesta \u00e9poca a filoxera j\u00e1 come\u00e7ava a destruir boa parte das planta\u00e7\u00f5es, obrigando os produtores a tomar decis\u00f5es mais inteligentes quanto ao tipo de uva e aos locais de cultivo. J\u00e1 se plantavam cerca de <strong>300 <\/strong>variedades e <strong>800 <\/strong>produtores vendiam seus vinhos a granel a engarrafadores.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">O problema \u00e9 que os anos seguintes n\u00e3o foram nada f\u00e1ceis para o vinho nos Estados Unidos. Crise, crise e mais crise, permeadas por guerra, mais guerra e uma lei proibicionista que transformou o mercado em&#8230; campo de guerra (ou guerrilha?) empacou a produ\u00e7\u00e3o durante quase cem anos,\u00a0 de 1890, quando a filoxera atingiu o \u00e1pice e o mercado parou de comprar a 1970, quando um s\u00fabito interesse pelo vinho despertou-se no pa\u00eds e levou uma onda de crescimento a Napa e Sonoma.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\u00c9 claro que a escalada que o Vale do Sil\u00edcio e Hollywood tiveram durante a d\u00e9cada de 1980 n\u00e3o foram de m\u00e1 influ\u00eancia para a regi\u00e3o, ent\u00e3o de l\u00e1 pra c\u00e1 as coisas mudaram, ainda mais drasticamente. Para se ter uma id\u00e9ia de como o vinho se tornou modinha por ali e cresceu absurdamente, vejam os n\u00fameros da extens\u00e3o de \u00e1reas plantadas com Chardonnay:<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">p\u00f3s-Proibi\u00e7\u00e3o: 0 acres<br \/>\n1960: &lt; 100 acres<br \/>\n1991: 20.000 ha<br \/>\n2001: 40.000 ha (mais que na Fran\u00e7a inteira)\n<\/p>\n<p style=\"margin: 0in; font-family: Calibri; font-size: 11pt; text-align: justify;\">\n<p><\/p>\n<p><strong>Clima Peculiar<\/strong>\n<\/p>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista clim\u00e1tico, a Calif\u00f3rnia \u00e9 uma verdadeira colcha de retalhos: ao contr\u00e1rio do que a maioria espera, a varia\u00e7\u00e3o na latitude influencia bem pouco o clima por aqui e \u00e9 o Oceano Pac\u00edfico o grande interventor: a proximidade a ele e os obst\u00e1culos entre os vinhedos e a influ\u00eancia do gelado marz\u00e3o (\u00ea mairz\u00e3o! n\u00f3s \u00e9 tudo min\u00earo!) determinam a maior parte das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas por ali. Uma esp\u00e9cie de cordilheira costeira modera a entrada de ar frio terra a dentro &#8211; a exemplo do que acontece no Vale Central chileno &#8211; e onde h\u00e1 baixios e aberturas h\u00e1 grande entrada dessas massas de ar refrescadas pelas correntes oce\u00e2nicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Napa e Sonoma, as regi\u00f5es mais renomadas e de onde prov\u00eam os vinhos mais finos, s\u00e3o claramente influencidas pelas neblinas matinais, sendo que as \u00e1reas mais ao sul s\u00e3o, em geral, mais frias e as mais ao norte razoavelmente mais quentes. Uma not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o ao esquema da proximidade \u00e9 o j\u00e1 mencionado Vale de San Joaquin que, justamente por causa das montanhas, encontra-se isolado das correntes frias e \u00e9, ao contr\u00e1rio, considerada a regi\u00e3o vin\u00edcola mais quente e ensolarada DO MUNDO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continua&#8230; (ai ai&#8230;)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chegando de 15 dias de viagem, ap\u00f3s uma prova escabrosa &#8211; mas muito menos dolorosa do que o esperado &#8211; me dei conta de que o blog est\u00e1 abandonado h\u00e1 quase 3 meses (!!!!) e com infinitos rascunhos come\u00e7ados, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de degusta\u00e7\u00f5es documentadas e uma semana na It\u00e1lia para relatar. 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